Título: Número de universitários dobra em 10 anos
Autor: Fabrini, Fábio
Fonte: O Globo, 08/11/2011, O País, p. 12

Rede privada puxa aumento; meta de inclusão de 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior não foi atingida

BRASÍLIA. O número de estudantes em cursos universitários de graduação mais que dobrou no Brasil em dez anos, revela o Censo da Educação Superior 2010, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2001, o país tinha três milhões de alunos matriculados; no ano passado, eles eram 6,37 milhões. O salto foi de 110%, mas, embora expressivo, traduz o fracasso na principal meta do governo relativa a acesso à universidade.

O último Plano Nacional de Educação (PNE) previa incluir 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior até o ano passado. Hoje, o país tem ainda 17,4%. Contudo, o ministro Fernando Haddad, que ontem apresentou o estudo, argumentou que, nesse ritmo de expansão, o país atingirá o objetivo traçado para 2020 no novo PNE, cujo projeto de lei, enviado ao Congresso, aguarda aprovação: 33% da população dessa faixa etária no ensino superior.

- Talvez tenha sido a melhor década de acesso à educação superior, tanto em termos absolutos quanto em relativos - ponderou o ministro.

Ensino à distância respondeu por 15% das matrículas

O boom nas matrículas foi alimentado pelo aumento da rede particular e, em parte, pela expansão dos cursos tecnológicos e à distância. Em 2010, a modalidade não presencial representava quase 15% das matrículas ou cerca de um milhão de estudantes. Em outros países, esse percentual supera os 50%. Fernando Haddad explicou que o aumento poderia ser maior, mas que o Ministério da Educação vem controlando a abertura dos cursos para controlar a qualidade:

- Se liberássemos a expansão, esse número duplicaria ou triplicaria em muito pouco tempo. Mas estamos zelando para que o ensino à distância tenha um crescimento sustentável.

O censo não apresenta o perfil de renda dos alunos matriculados, o que poderia mostrar quais classes sociais estão se beneficiando mais da expansão do acesso. Embora o número de matrículas nas instituições federais tenha crescido 86% na década analisada, impulsionado pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão (Reuni), as escolas privadas ainda ensinam sete em cada dez universitários no Brasil.

Os dados do Censo da Educação Superior 2010 traçam um perfil do público matriculado, predominantemente feminino e jovem. Nos cursos presenciais, os estudantes têm, em média, 26 anos, e metade, até 24. Nos à distância, a média é de 33 anos. Para o MEC, a necessidade de conciliar trabalho com estudo pode explicar a opção dos mais velhos por essa modalidade. Pelo mesmo motivo, cada vez mais gente opta pelo turno da noite: 63,5% das matrículas estavam concentradas nesse horário. Nas instituições federais, contudo, mais de dois terços dos alunos ainda estudam à tarde e de manhã. As mulheres dominam o ambiente universitário, com 57% das matrículas, mantendo uma tendência histórica.

O ministro da Educação destacou que o aumento da qualificação dos professores, verificado na pesquisa, é um indicativo de melhoria da qualidade. Nas instituições públicas, os docentes com doutorado passaram de 35,9% para 49,9%. Nas particulares, os professores com mestrado aumentaram de 35,4% para 43,1%.