Título: Bombeiros
Autor: Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 05/11/2011, Economia, p. 32
A reunião de cúpula do G-20 acabou sem uma sinalização mais firme de como será a ajuda dos emergentes ao bloco europeu por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI). A expectativa inicial de um acordo em torno dessa ajuda foi frustrada e a decisão, adiada para fevereiro. Essa indefinição só reforça as dificuldades para amarrar esse socorro. São muitos interesses em jogo e alguns conflitantes.
Os analistas estão divididos sobre os resultados da cúpula, mas a sensação que prevalece é de frustração. A reunião foi completamente ofuscada pela crise do euro e pela decisão da Grécia de submeter o pacote de resgate a um referendo popular.
A pauta original do G-20 foi colocada de lado para que os líderes do bloco pudessem atuar como bombeiros da crise grega. A reação forte atingiu o objetivo de fazer os gregos caírem na real. Ou aceitam o pacote de ajuste duro imposto pelo bloco europeu, em troca da renegociação da dívida, ou deixam a zona do euro.
Mas todo esse estresse causado pela Grécia durante o encontro de cúpula serviu para ressaltar a gravidade da crise na zona do euro e como a solução ainda está distante. O economista Antonio Correa de Lacerda, da PUC-SP considera que a reunião teve um resultado razoável no combate à crise, na medida em que a situação da Grécia foi equacionada, mas destaca que há um longo caminho a percorrer:
- O encaminhamento da questão grega vai abrir espaço para a recuperação da economia. Mas o quadro é ainda de muita incerteza. O problema da Europa está longe de uma solução. Não está claro, por exemplo, como o fundo de resgate será fortalecido com aporte de recursos.
O economista Marcelo Toledo, do Bradesco, diz que o mercado já estava cético em relação aos resultados do encontro. Pelo que viu acontecer durante a semana, já não contava que da Cúpula do G-20 pudessem sair grandes decisões sobre a crise. A possibilidade de um acordo concreto sobre a ajuda do FMI, incluindo o montante de recursos, surgiu ontem nos bastidores, mas não se concretizou. A reação positiva veio com a notícia de que a Itália será monitorada pelo FMI.
- Acho que o mercado está cético. Não acredito que os países emergentes conseguirão chegar tão cedo a um acordo para ampliar a capacidade do FMI e ajudar a zona do euro - prevê.