Título: Desembolso do BNDES caiu 28% este ano, a R$91,8 bi
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 01/11/2011, Economia, p. 23
A indústria puxou a queda, com retração de 56%. Banco prevê financiamentos de R$140 bilhões em 2011
A desaceleração da economia global começa a afetar a demanda por financiamentos do BNDES. Os desembolsos da instituição de janeiro a setembro atingiram R$91,8 bilhões, volume 28% inferior aos do mesmo período de 2010. A queda seria de 11% se excluída a capitalização de R$24,7 bilhões da Petrobras em setembro de 2010, considerada pelo banco como uma "operação atípica". Diante do quadro de incerteza na Europa e nos EUA o presidente do banco, Luciano Coutinho, já admite fechar 2011 com desembolso total um pouco menor que o previsto.
- Provavelmente vamos ter um desembolso total de R$140 bilhões, um pouco abaixo de perspectiva de R$145 bilhões, mas não significativamente abaixo - disse Coutinho, frisando que o trimestre de outubro a dezembro costuma concentrar as liberações.
Para o presidente do banco, apesar do mundo viver um "momento de cautela", a agenda do banco continua sendo de estabilização dos desembolsos e estímulo ao aumento da participação privada no crédito a investimentos. Para 2012, porém, ele não descartou a possibilidade de rever as políticas do BNDES em função da crise, para manter o investimento no país. O banco de fomento projeta um crescimento anual de 7,6% ao ano do investimento no país no período 2012-2015, taxa mais moderada que nas previsões anteriores, próximas de 10% ao ano:
- A expectativa para 2012 dentro da nossa programação é de manutenção ou de uma pequena ampliação do nível de desembolso à medida em que a economia cresça.
Setor mais afetado pela desvalorização do real, a indústria puxou a queda de desembolsos do BNDES nos primeiros nove meses de 2011. A área industrial recebeu R$28,4 bilhões, 56% menos que de janeiro a setembro do ano passado. A queda é atribuída pelo banco em parte à redução de benefícios do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Criado para socorrer a indústria durante a crise, o programa teve taxas e contrapartidas elevadas deliberadamente este ano para reduzir a forte demanda.
Infraestrutura lidera a expansão dos desembolsos
Os financiamentos para infraestrutura foram os que mais cresceram até setembro (4%), somando R$38 bilhões. De acordo com o BNDES, a cifra menor de desembolsos no período "é resultado de uma moderação já esperada no desempenho do Banco, que calibrou algumas linhas e reduziu na média seu nível de participação máxima nos financiamentos".
O presidente do BNDES afirmou que o terceiro trimestre trouxe uma piora no cenário internacional, que terá que ser acompanhado. Embora considere "irrealismo" dizer que a crise não afeta as expectativas domésticas, Coutinho frisa que as perspectivas de investimento no Brasil se mantêm em nível elevado. Em caso de alerta vermelho, diz, o governo dispõe de instrumentos para estimular o crescimento, caso do estímulo ao setor de infraestrutura e da política monetária:
- Há um consenso geral no mercado de que a economia brasileira vai continuar crescendo e, por isso, ninguém está jogando planos de investimento na gaveta.
Nos nove primeiros meses do ano as aprovações do BNDES somaram R$115,6 bilhões, 25% menores que em 2010. Já os enquadramentos recuaram 22%, para R$135,6 bilhões, de janeiro a setembro. As consultas, primeira fase das operações do banco, caíram 35%, somando R$138,5 bilhões.