Título: Em 2011, GTA achou 5 ossadas no Tocantins
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 20/11/2011, O País, p. 13
Ao todo, corpos de 70 guerrilheiros ainda não foram localizados
BRASÍLIA. O GTA já encerrou suas atividades este ano. Com o início do período da chuva no Norte do país, a missão de cavar buracos e reabrir covas nos cemitérios fica prejudicada, e o acesso pelas estradas de terra fica mais difícil.
Para os integrantes do GTA, 2011 foi o ano em que o trabalho avançou mais, o que gera enorme expectativa nos seus integrantes e também nos familiares. O grupo localizou cinco ossadas, que estão sob análise em laboratórios da Polícia Federal em Brasília, e algumas têm grandes chances de se tratar de ex-guerrilheiros. Os nomes dos possíveis desaparecidos a serem identificados não são revelados. Até para evitar frustrações em familiares.
Todas as cinco ossadas foram retiradas do cemitério de Xambioá (TO), cidade que foi o palco da guerrilha entre 72 a 74. Ali, a equipe do GTA acredita estarem enterrados pelo menos 12 dos guerrilheiros. Ao todo, 70 guerrilheiros não foram localizados e apenas dois identificados até hoje: Maria Lúcia Petit e Bergson Gurjão de Farias. Cada localidade visitada consta em um enorme mapa de pontos reconhecidos e explorados numa sala no Ministério da Defesa.
Das cinco ossadas recolhidas, duas, na verdade, foram reexumadas. Esses restos mortais foram exumados em 2001 e identificados como X1 e X2. Mas o exame pericial concluiu que se tratavam de restos mortais de pessoas mais idosas, e tudo foi devolvido anos depois ao cemitério. Mais recentemente, o grupo obteve informações que naquele cemitério poderiam estar enterrados os guerrilheiros mais velhos do PCdoB. Esse foi o motivo da reexumação.
Junto a outra ossada que se suspeita ser de um ex-guerrilheiro, foram encontradas duas ampolas com líquido intacto no interior. Era comum esses militantes portarem essas unidades, que poderiam ser medicamentos para uso próprio ou para atender a população local.
A Secretaria Especial de Direitos Humanos criou um banco de DNA e já colheu material de cerca de 40 familiares de desaparecidos. Com equipamentos modernos, é possível comparar materiais genéticos até com a saliva. O custo anual de cada expedição no Araguaia é de R$2,5 milhões. O gasto principal é com aluguel e veículos para circular na região. Passagens e diárias também pesam no orçamento.