Título: ONG teme consequências desastrosas ao ambiente
Autor: Melo, Liana
Fonte: O Globo, 04/12/2011, Economia, p. 34

Estatal emitiu 293,3 milhões em 12 meses

As emissões da Chevron, responsável pelo vazamento no Campo do Frade, no início de novembro, chegou a 10,6 milhões toneladas de gás carbônico (CO2) em apenas um ano, de setembro de 2010 a agosto de 2011. A avaliação consta do levantamento do Greenpeace, que apontou que vem da Petrobras a maior contribuição para poluição no setor de petróleo no país. Não poderia ser diferente, dado que a estatal é a maior produtora nacional. A empresa emitiu 293,3 milhões de toneladas de CO2 no período.

- No momento em que existe um esforço global em reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, o Brasil aposta em suas reservas de petróleo como o mais rápido atalho para o desenvolvimento econômico e social - avalia Sérgio Leitão, diretor de Campanha do Greenpeace, convencido de que a opção pode ter consequências "desastrosas ao meio ambiente" no futuro.

Esse é um dos motivos, diz Leitão, que está fazendo o Brasil sentar para discutir na 17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-17), em Durban, o CCS, sigla em inglês para Captura e Armazenamento de Carbono.

- A Petrobras pretende implementar o fracassado, perigoso e caro mecanismo como forma de neutralizar o enorme estrago que as emissões da queima e da extração do combustível fóssil em grandes profundidades significarão ao nosso planeta - afirma Leitão, comentando que a empresa acredita que o "CCS fosse a salvação do petróleo".

Apesar de grande produtor de petróleo, o consumo per capita no Brasil ainda é pequeno, mesmo se comparado com os vizinhos da América do Sul: 1,2 tonelada de petróleo por pessoa. No Chile, é de 1,9 tonelada per capita.