Título: Pimentel atribui a jogo político suspeitas sobre serviços da P-21
Autor: Herdy, Thiago
Fonte: O Globo, 10/12/2011, O País, p. 4
Ele prega "diálogo franco", mas continua sem comprovar serviços da consultoria
BELO HORIZONTE. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, publicou carta em seu site na qual atribui ao jogo político as denúncias envolvendo sua empresa de consultoria, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda. A empresa faturou pelo menos R$2 milhões em 2009 e 2010. Na carta, afirma ter optado pelo "diálogo franco" com jornalistas, apesar de se recusar, desde quarta-feira, a responder a perguntas relacionadas à atividade que afirma ter realizado para a ETA Bebidas do Nordeste Ltda, fabricante do refresco de guaraná Guaraeta, em Pernambuco.
"É preciso cautela para que o jogo político não termine por contaminar o livre exercício de um direito. Para que esse direito não seja usado para atingir biografias respeitáveis. A minha postura será sempre pautada na ética, na verdade e na transparência", escreveu Pimentel.
Pelo terceiro dia consecutivo, O GLOBO perguntou a Pimentel, por meio de sua assessoria, por que ele omitiu a prestação de serviços à ETA quando foi questionado sobre suas atividades como consultor, no início da semana. A assessoria informou ontem que ele não se manifestaria e também não responderia às outras perguntas, contrariando a disposição expressa na carta divulgada em seu site, de renovar "o compromisso de atuar com transparência e tratar, com absoluta franqueza, todos os temas que vêm sendo abordados pela imprensa".
Mais uma vez, Pimentel não respondeu se foi a Pernambuco para prestar o serviço à ETA. Não quis dizer com quem manteve contato durante a prestação do serviço, nem se seria capaz de se lembrar do faturamento médio mensal da empresa de bebidas na época da consultoria.
Consultoria teria realizado três contratos verbais
O ministro também se recusou a informar se conhece Eduardo Luis Bueno, sócio da ETA e dono de outra empresa condenada pela Justiça Eleitoral de Minas por doações ilegais para campanhas eleitorais em 2006.
Em entrevistas gravadas pelo GLOBO, na quarta-feira, os sócios da ETA negaram ter contratado Pimentel, mas voltaram atrás na quinta e divulgaram nota de quatro linhas em que a empresa informa ter pagado pelo serviço. Os pagamentos foram feitos em duas parcelas, de R$70 mil, em maio de 2009, e de R$60 mil, em julho do mesmo ano.
Na carta, o ministro diz ter apresentado "cópias dos contratos firmados" com as empresas. Porém, até agora ele apresentou só um dos quatro contratos da P-21, referente ao serviço prestado para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Segundo o ministro, os contratos com a QA Consulting, a ETA e a construtora Convap foram verbais.