Título: Sobra PIB, falta gente
Autor: Beck, Martha; Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 15/12/2011, Economia, p. 32

Grandes empreendimentos sustentam pequenos locais

As maiores rendas per capita estão em cidades com baixa densidade demográfica. Em primeiro lugar, São Francisco do Conde (BA), que abrigava a segunda maior refinaria em capacidade instalada do país, com PIB per capita de R$360.815,83 e uma população de apenas 31.699 pessoas. Na segunda posição, está Porto Real (RJ), com R$215.506,46 - PIB per capita bastante influenciado pela indústria automobilística. Na cidade, há pouco mais de 16 mil habitantes. Triunfo (RS), sede de um importante polo petroquímico na região metropolitana de Porto Alegre, ficou em terceiro no ranking com R$211.964,79 e 25.374 habitantes. O menor PIB per capita, em 2009, foi de R$1.929,97 no município maranhense de São Vicente Ferrer - que, em 2009, perdeu quase 80% da produção de mandioca por causa do excesso de chuvas na região.

- Nem toda a renda gerada por uma determinada cidade é apropriada pela população local - disse Sheila Zani, do IBGE, acrescentando que essas cidades têm, em geral, uma atividade de peso.

O levantamento mostrou que menos de 15% dos municípios brasileiros têm PIB per capita maior do que PIB per capita brasileiro (R$16.918). Além disso, metade dos municípios do país tem PIB per capita menor do que R$8.395 (aproximadamente metade do nacional).

Entre os municípios das capitais, destacaram-se Vitória com o maior PIB per capita (R$61.790,59), seguido de Brasília (R$50.438,46), São Paulo (R$35.271,93), Rio de (R$28.405,95) e Porto Alegre (R$26.312,45).

E as desigualdades regionais novamente aparecem. O município com o menor PIB per capita da Região Sul era Imbaú (PR), com R$5.463 - esse valor era maior que 75% dos PIBs per capita da Região Nordeste. (Fabiana Ribeiro e Mariana Durão).