Título: BC: economia encolheu 0,32% em outubro
Autor: Beck, Martha; Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 15/12/2011, Economia, p. 32
Indicador que serve como prévia do PIB aponta que o país dificilmente terá crescimento de 3,8% este ano
BRASÍLIA. Após ficar estagnada entre julho e setembro, a atividade econômica já começou este quarto trimestre em queda. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram uma retração de 0,32% em outubro no Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) - que serve como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) divulgado pelo IBGE. Embora o indicador apresente um crescimento de 0,35% na comparação com outubro de 2010, ele aponta que a economia brasileira dificilmente terá o crescimento de 3,8% estimado pelo governo.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já admitiu que o resultado do ano deve ficar em torno de 3,2%. Segundo o indicador do BC, a atividade registra elevação de 3,04% no ano e de 3,39% em 12 meses.
O economista da Gradual Investimentos André Perfeito afirmou que o número do BC não foi uma surpresa, uma vez que as vendas do varejo tiveram queda de 0,04% em outubro, e a produção industrial recuou 0,61%. Para ele, a atividade ainda está refletindo a freada que o próprio governo deu na economia no fim do ano passado e início de 2011, para conter a inflação. Mesmo assim, sua expectativa é que o quarto trimestre registre alta de 0,4% em relação ao terceiro. Para o ano, espera elevação de 2,9% no PIB.
CNI prevê PIB industrial de 1,8% em 2011
O economista da consultoria Tendências Rafael Bacciotti também não se surpreendeu com o fraco desempenho em outubro. Para ele, o comportamento da produção industrial já adiantava que o número do mês seria negativo. Mas ele também aposta num crescimento da atividade - de 0,5% - no último trimestre do ano. Para 2011, o economista prevê uma alta do PIB de 2,8%.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou ontem projeções sobre os principais indicadores da economia, o PIB da indústria crescerá apenas 1,8% este ano e 3% em 2012. Já a alta no PIB brasileiro será de 2,8% em 2011 e de 3% no ano que vem.
Para os economistas da entidade, a inflação cairá de 6,5% - teto da meta, cujo centro é de 4,5% - este ano para 5,2% em 2012. A taxa de desemprego, por sua vez, deve recuar de 6% para 5,8% da força de trabalho.
De acordo com CNI, a balança comercial brasileira fechará 2011 com um superávit de US$28,8 bilhões, valor superior ao estimado para o ano que vem, de US$20,8 bilhões. As exportações subirão de US$253,9 bilhões para US$275,4 bilhões, enquanto as importações sairão de US$225,1 bilhões para US$254,6 bilhões.
Os economistas da CNI trabalham com uma taxa de câmbio de R$1,80 em dezembro de 2012, ante R$1,79 este ano. Apostam, ainda, que o superávit primário cairá de 3,25% para 3% do PIB.