Título: ... para Mantega, arredondamento dará uma ajudinha
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 23/12/2011, Economia, p. 25

Segundo ministro, 6,55% podem virar mesmo 6,5%

BRASÍLIA. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que não espera receber do Banco Central (BC) uma carta com a justificativa pelo rompimento do teto da meta de inflação deste ano, de 6,5%, como é exigido toda vez que a autoridade monetária não cumpre o objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Mantega disse que se o IPCA ficar ligeiramente acima do teto - até 6,55% -, o arredondamento matemático para baixo garantirá o cumprimento da meta.

- Não vai precisar de carta. Não vai chegar a isso de jeito nenhum - garantiu o ministro.

Mantega explicou que acompanha os dados diários de inflação, que mostram o IPCA no patamar de 0,37% nos últimos dias. Isso deve fazer com que na última semana do ano a inflação ceda e fique dentro dos 6,5%.

No encontro de fim de ano com jornalistas, o ministro reafirmou esperar expansão da economia entre 3% e 3,5% neste ano e de 4% a 5% em 2012. Quanto à divergência com os números do BC - de 3% e 3,5%, respectivamente -, ele disse que a avaliação da autoridade monetária não é tão precisa porque usa a taxa de juros e o câmbio atuais, para não indicar seus movimentos futuros.

Mas ele evitou bater de frente com o BC na questão da taxa básica de juros. Mantega disse que a Selic está num "bom patamar" - de cerca de 4,5% descontada a inflação -, mas criticou o custo do crédito para o consumidor, que ainda é muito alto no país.

Mantega disse que o Brasil encerrará este ano como a 6ª maior economia do mundo e com boas perspectivas de ultrapassar a França. E afirmou que, se não fosse a crise global, o país cresceria 4% em 2011. Ele ainda antecipou que semana que vem haverá uma "pequena capitalização" de R$450 milhões na Caixa Econômica Federal e outra de R$500 milhões no BNDES.