Título: Caem as projeções para o PIB neste ano
Autor: Rodrigues, Lino; Barbosa, Flávia
Fonte: O Globo, 27/12/2011, Economia, p. 17
Economistas esperam crescimento de 2,9%. Inflação fecharia em 6,54%
BRASÍLIA. Os economistas das maiores instituições financeiras do país pioraram suas expectativas para a economia. Na pesquisa semanal Focus, que o Banco Central faz semanalmente com os analistas, a previsão para o crescimento neste ano ficou levemente mais pessimista. Caiu de 2,92% para 2,9%. Foi a quinta revisão para baixo seguida feita pelos analistas. Já para o ano que vem, a aposta para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável em 3,4%. Mas para a indústria, setor mais afetado pela desaceleração causada pela crise financeira mundial, a estimativa caiu levemente de 3,46% para 3,43%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano está acima do teto da meta, de 6,5%, e bem perto de fazer com que o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, tenha de mandar uma carta para se explicar ao Ministério da Fazenda por estourar o limite. Na opinião dos analistas do mercado financeiro, a inflação fechará em 2011 acumulada em 6,54%, acima dos 6,52% anteriores e em alta pela segunda semana seguida.
Balança já acumula superávit de US$26,844 bilhões
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, esclareceu que, se a inflação fechar o ano em até 6,55%, o governo terá a prerrogativa de arredondar o número para baixo e deixá-lo dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Somente a partir de 6,56%, o BC seria obrigado a se justificar por não ter alcançado o objetivo.
O levantamento do BC mostra ainda que a expectativa do IPCA para o ano que vem caiu de 5,39% para 5,33%. Foi a quarta semana consecutiva de baixa. Há um mês, a previsão era de 5,56%.
A seis dias do fim do ano, a balança comercial brasileira acumulava superávit de US$26,844 bilhões, uma alta de 43,1% sobre o número até 25 de dezembro de 2010 e o triplo da previsão de um saldo de US$8,75 bilhões feita pelos analistas do mercado financeiro no início deste ano. O grande salto deveu-se aos preços das commodities agrícolas e minerais, o carro-chefe das operações de comércio exterior do país.