Título: Chuva em Minas já causou seis mortes; 53 cidades decretaram estado de emergência
Autor: Maltchik, Roberto; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 04/01/2012, O País, p. 3
Estado tem 2 milhões de pessoas afetadas, 2,4 mil casas danificadas e pontes destruídas
BELO HORIZONTE. Com seis mortes confirmadas e 2,1 milhões de pessoas afetadas, Minas Gerais voltou a viver em 2012 o pesadelo das chuvas de janeiro. Nos últimos dias, cidades inteiras foram alagadas, 2,4 mil casas ficaram danificadas e 143 pontes foram destruídas ou deterioradas. Até ontem, 53 municípios tinham decretado situação de emergência, medida que desburocratiza a obtenção de recursos públicos para a reconstrução das cidades. De acordo com a Defesa Civil, os maiores prejuízos são em cidades da Zona da Mata - que receberão hoje a quarta visita do governador do estado, Antonio Anastasia -, do entorno de Belo Horizonte e da Região Central.
Na madrugada de ontem, uma encosta do Morro do Piolho, em Ouro Preto, desabou, destruindo parte do Terminal Rodoviário e matando um taxista que aguardava a chegada de passageiros do último ônibus da madrugada, proveniente de Belo Horizonte. Seu corpo foi resgatado dentro do carro, no início da tarde. Havia a suspeita de que pelo menos mais uma vítima - outro taxista - estaria sob a a marquise de concreto do terminal. Parentes chegaram a procurar a polícia relatando o seu desaparecimento. No entanto, o volume de terra e a dificuldade de acesso seguro ao local onde estaria o outro carro levaram os bombeiros a adiarem a busca para hoje.
Durante todo o dia, militares usaram máquinas, escavadeiras e cães farejadores na busca de outras vítimas do desmoronamento, sem sucesso. O morro que se movimentou não tinha construções em sua superfície, mas está localizado ao lado do Morro dos Piolhos, onde vivem cerca de 40 famílias, segundo informações da prefeitura de Ouro Preto. Na madrugada e na manhã de ontem, os moradores do entorno foram retirados do local porque havia risco de novos desabamentos.
Segundo o prefeito da cidade, Angelo Oswaldo, o risco de novos deslizamentos se restringe às áreas de novas construções da cidade, a partir dos anos 1960, e não ameaça o centro histórico.
- Ouro Preto é uma cidade construída em local inadequado para o ambiente urbano, em terreno formado por camadas geológicas muito frágeis. Mas o corpo histórico se comporta muito bem, possivelmente porque os portugueses e africanos tinham conhecimento de deslizamentos graves, anteriores, em seus países de origem. Eles sabiam o que era trabalhar em um quadro adverso - disse o prefeito.
Na avaliação do governador Anastasia, os efeitos das chuvas neste ano são menos devastadores que no ano passado.
- Os efeitos têm sido, ainda que não 100%, mais positivos. A despeito do volume de chuvas, nós estamos com um número de óbitos - que é sempre triste - inferior ao do ano passado. Pretendemos que zere, tão logo seja possível nos próximos anos - disse Anastasia.
Ontem, as chuvas deram uma trégua durante o dia, permitindo que o nível dos rios baixasse nas cidades que foram inundadas. Os maiores prejuízos foram observados em Itabirito, Congonhas e Brumadinho, na Região Central, e Cipotânea, Raul Soares, Guiricema, Dona Euzébia e Guidoval, na Zona da Mata.