Título: Chanceler alemã pede a empresários tempo para resolver crise do euro
Autor:
Fonte: O Globo, 26/01/2012, Economia, p. 24

Problemas não podem ser resolvidos "com toque de varinha de condão", diz Merkel

Da Bloomberg News*

DAVOS e LONDRES. A chanceler alemã, Angela Merkel, fez um apelo ontem aos empresários, na abertura do Fórum Econômico Mundial, para que deem tempo para a Europa resolver a crise da dívida soberana. Ela argumentou que os países da região vêm fazendo progressos e admitiu que a economia europeia não é competitiva.

- Não vamos resolver isso com um toque de varinha e condão - afirmou Merkel, ressaltando que em uma democracia os processos levam tempo. - Gostaria de pedir a todos vocês, que estão aqui representando a comunidade empresarial, que encarem os processos de longo prazo com um pouco de resignação.

Soros: Alemanha provocará "espiral deflacionária"

Os comentários de Merkel sinalizam uma mudança em sua abordagem da crise, ao abandonar a retórica sobre uma "batalha" entre mercados e politicos. A chanceler continua rejeitando as propostas de aumentar os recursos para combater a crise, mas ontem, em vez de apenas defender a necessidade de mais austeridade fiscal, disse que é preciso também aumentar a competitividade da economia.

- Eles agora dizem que (o fundo de resgate) deveria ser duas vezes maior. Alguns até dizem que "deveria ser três vezes maior, assim acreditaríamos em vocês" - afirmou Merkel. - O que não queremos é uma situação em que prometamos algo que, no fim, não poderemos cumprir.

Alexey Mordashov, diretor-executivo da siderúrgica russa OAO Severstal, disse, depois do discurso de Merkel, ter apreciado o otimismo da chanceler:

- É claro que isso requer tempo e não é fácil, mas o fato de um dos maiores países da Europa estar otimista é bom.

Também em Davos, o bilionário e filantropo George Soros criticou a Alemanha por impor uma estrita política anti-inflacionária à Europa. E disse que as economia mais fracas da zona do euro foram "relegadas ao status de Terceiro Mundo", por terem de pagar pesados juros para refinanciar suas dívidas:

- A austeridade que a Alemanha defende vai empurrar a Europa para uma espiral deflacionária mortal. A economia vai se retrair e a arrecadação cairá. Então o endividamento, na verdade, aumentará, exigindo mais cortes no orçamento e criando um círculo vicioso.

Já Bill Gates, o criador da Microsoft, disse ontem, em palestra na London School of Economics, temer que a crise na zona do euro e a desaceleração global atrapalhem os esforços de redução da pobreza.

- Há tantas coisas acontecendo que é muito fácil voltar-se para dentro de si e reduzir o financiamento que já trouxe tanto progresso.

(*) Com agências internacionais