Título: Mercadante: educação superior só para 15%
Autor: Weber, Demetrio
Fonte: O Globo, 29/01/2012, O País, p. 22

Assumindo como continuidade à política de ensino, novo ministro também critica mazelas como a evasão escolar

l BRASÍLIA. O novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, assumiu com a promessa de dar continuidade à política de ensino, sob o comando da presidente Dilma Rousseff. Mas, logo de cara, introduziu uma novidade no discurso oficial: ao mesmo tempo em que reconheceu avanços, não hesitou em apontar as mazelas educacionais. —Há casos preocupantes de crianças que, embora já estejam no quarto ou no quinto ano do ensino básico, ainda não sabem realmente ler e escrever ou fazer operações matemáticas básicas — disparou Mercadante, na solenidade de transmissão de cargo, na última terça-feira.

Em discurso, repetência eevasão escolar

O ministro estava ao lado do já ex-ministro Fernando Haddad, que saiu após oito anos no MEC — primeiro como secretário-executivo, entre 2004 e julho de 2005, e depois como ministro,por seis anos e cinco meses. Antes mesmo de lançar-se pré-candidato a prefeito de SãoPaulo, Haddad evitava publicamente engrossar o coro de críticas à educação brasileira. Aloizio Mercadante, pelo jeito, não. Seu discurso também tratou de repetência, evasão e da grande quantidade de jovens que não terminam o ciclo básico: —Há estatísticas que ainda inquietam: entre os jovens de 16 anos que fazem parte da população 20% mais pobre, apenas 40% concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 18 anos, só 37% concluíram o ensino médio —afirmou. Até mesmo acesso ao ensino superior, impulsionado pelo ProUni e pela expansão das universidades federais — bandeiras dos governos Lula e Dilma —,não escapou ao olhar crítico d eMercadante .Ele fez até comparações com outros países: —A educação superior, mesmo com os avanços recentes em relação à oferta aos mais pobres, só é acessível a cerca de15% dos jovens entre 18 e 24 anos de idade, enquanto na Coreia do Su ltal índice é de 82%.