Título: O Brasil não conhece o Brasil, diz ministra
Autor: Oswald, Vivian; Branco, Ana
Fonte: O Globo, 05/02/2012, Economia, p. 35

BRASÍLIA. Está em fase de conclusão o processo de escolha da etiqueta que fará do made in Brazil sinônimo de criatividade, inovação e valor agregado. O governo quer que os produtos brasileiros venham com o nome dos artistas e sua origem. O Brasil Criativo também prevê uma vitrine virtual com todas as informações de canais de financiamento, localização de artistas e projetos pelo país.

- Vamos mapear as bacias criativas. Isso vai nos ajudar a encontrar o nosso público. O Brasil não conhece o Brasil, já dizia a música de Maurício Tapajós e Aldir Blanc. A gente não sabe, o mundo não sabe. A gente poderia exportar muito mais e consumir muito mais. Em vez de consumir coisa baratinha chinesa, orgulhar-se e ter peças brasileiras - disse a ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

Mestre Espedito Seleiro, de 73 anos, artesão do couro desde criança, é conhecido no Cariri e no mundo. Em 2006, suas peças, todas feitas à mão, apareceram no São Paulo Fashion Week. Depois do evento, faltou estrutura para atender às encomendas. Recentemente, dispensou um pedido da Colômbia.

- Eu precisava de um galpão maior e mais gente para trabalhar. Não posso vender muito fora daqui, porque não tenho como atender ao pessoal que vem visitar o Cariri.

À frente da recém-criada secretaria de Economia Criativa, Claudia Leitão diz que os pequenos e médios empreendedores terão prioridade. Já o departamento de economia criativa do BNDES é de 2006, quando foram emprestados R$ 40 milhões. Em 2011, foram R$ 330 milhões. O total até agora supera R$ 1 bilhão.

A cadeia da indústria criativa emprega 10,5 milhões de pessoas no Brasil, segundo a Firjan. Suas atividades diretas pagam 45% a mais que a média nacional dos empregos formais: R$ 2.296 contra R$ 1.588. O Rio está à frente, com R$ 3.014. (Vivian Oswald)