Título: Crianças retiradas da Assembleia
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 08/02/2012, O País, p. 11
General que comanda cerco ao prédio ganha bolo de aniversário e chora
SALVADOR. Grande parte das crianças filhas dos grevistas da Polícia Militar teria deixado a Assembleia Legislativa da Bahia, entre a noite de anteontem e a manhã de ontem. O subcoordenador do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) da Bahia, Waldemar Oliveira, disse que ele e três defensoras públicas estiveram no local ontem e não viram nenhum menor.
Mesmo assim, o representante não garante a total ausência de crianças no local. As últimas cinco crianças que saíram, acompanhadas de militares das Forças Armadas, foram fotografadas na noite de segunda-feira deixando a Assembleia.
A retirada das crianças foi resultado de uma medida cautelar da promotora de Justiça do Centro Operacional de Segurança Pública e Defesa Social, Mônica Barroso. Waldemar disse que o Cedeca não vai processar os pais dos menores por terem infringido o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e exposto os filhos a risco. Em visita ao acampamento dos grevistas, segunda-feira à noite, o membro do Cedeca conversou com o líder do movimento, Marcos Prisco, e com outros líderes, que afirmaram não haver objeção à retirada dos menores.
— Eles me disseram que havia 150 crianças, mas a Defensoria (Pública) afirma que eram 30 — disse.
Os PMs grevistas conseguiram a liberação da entrada de pão, água, medicamentos e material de higiene. Os produtos foram entregues ontem de manhã.
Também pela manhã, o comandante da operação na Bahia, general Gonçalves Dias, que comandava o esquema de segurança do ex-presidente Lula, foi cercado por manifestantes que cantaram "parabéns para você", já que era o seu aniversário. Os grevistas entregaram um bolo a Dias, que chorou.
— Independentemente do que a política decidir, militar não pode ir contra militar; 10% a 15% de aumento não vale sangue. A tropa que comando está muito bem preparada porque subiu várias vezes o Morro do Alemão. Eu estou aqui com você sem usar colete à prova de balas — afirmou.
Ele disse que seu "presente é comandar essa missão e criar novos amigos".
Já o tenente-coronel Márcio Cunha, que comanda as Tropas Federais, negou que pretendem invadir a Assembleia.
-— É meramente boato. A estratégia é manter a comunicação e vencer pelo cansaço.