Título: Em Brasília, chanceler da UE pede fim de Assad
Autor: Malkes, Renata
Fonte: O Globo, 07/02/2012, O Mundo, p. 29
BRASÍLIA. A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, defendeu ontem a saída do presidente da Síria, Bashar al-Assad. Em visita ao Brasil, ela afirmou que a proposta de criação de um grupo de países amigos para mediar uma transição no país árabe tem como finalidade apoiar o povo sírio e não necessariamente a oposição ao governo Assad - embora, na prática, uma coisa leve à outra.
- Não se pode matar o próprio povo e permanecer no poder - declarou ela.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, deixou claro que o Brasil prefere soluções que passem pelo crivo da ONU.
- Grupos de amigos são bem-vindos. Mas não queremos que isso implique o enfraquecimento do sistema multilateral, do Conselho de Segurança das Nações Unidas - afirmou Patriota.
Após a entrevista, o porta-voz do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes, declarou que o governo brasileiro apoiaria a resolução rejeitada por Rússia e China no último sábado se ainda estivesse ocupando uma das vagas rotativas do conselho:
- O Brasil é a favor da resolução vetada.
Patriota e a diplomata europeia concordaram que a Liga Árabe deve ter um papel destacado na negociação com a Síria. O chanceler brasileiro cobrou até uma atuação mais ativa do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sugerindo uma atuação conjunta com o bloco dos 22 países árabes.
Ashton defendeu, ainda, a adoção de sanções econômicas ao Irã, como forma de pressioná-lo a retomar negociações acerca de seu programa nuclear. Mas, ressaltou que todas as sanções ao Irã estão permanentemente sujeitas a revisão.
- O propósito das sanções é persuadir o Irã a voltar à mesa de negociações - disse ela, acrescentando que o Brasil é um importante parceiro nesse esforço.
Em sua primeira visita ao Brasil, ela foi ao Rio, passou por Brasília e, nesta terça-feira seguirá para São Paulo.