Título: Na capital, escolas sem aulas, comércio fechado e até ataque a ônibus escolar
Autor: Brito, Juliana
Fonte: O Globo, 07/02/2012, O País, p. 4

Turismo também já é afetado, mas Forças Armadas patrulham áreas turísticas]

SALVADOR. A capital baiana amanheceu ontem disposta a retomar a rotina, apesar da greve da Polícia Militar. Mas, ainda assim, o clima nas ruas era de apreensão, especialmente na periferia e na orla da cidade. De manhã, ataques a ônibus causaram uma onda de pânico em bairros como São Marcos, Boca do Rio e Patamares. Os veículos eram parados e atravessados no meio de avenidas, impedindo o trânsito.

— Foi aquele pânico. Os comerciantes começaram a fechar as lojas com medo de um arrastão. Até agora (por volta das 11h da manhã), 95% das lojas estão fechadas, até porque não tem ninguém na rua para comprar — disse uma comerciante, que preferiu não se identificar.

A grande maioria das escolas públicas e privadas não funcionou, deixando milhares de alunos sem aulas, especialmente na Região Metropolitana de Salvador. Um ônibus de transporte escolar, cheio de crianças, foi incendiado perto de Lauro de Freitas. Homens em uma moto pararam o ônibus, mandaram as crianças saírem e incendiaram o veículo.

Enquanto isso, na Avenida Sete, zona tradicional de comércio popular da capital, alguns carros da PM tentavam garantir a segurança da população. O vai e vem de pedestres pelo Relógio de São Pedro não animava o vendedor ambulante Ailton Sacramento.

— Não estou vendendo nada.

Desde quinta-feira, o comércio parou, pois está todo mundo com medo de vir para a rua. Só vem quem tem algo para resolver mesmo. Se eu não tivesse que vir, também não viria, não — afirmou o ambulante.

— Hoje vim fazer compras aqui na Liberdade porque senti que a cidade está mais calma.

Na verdade, eu queria ter ido ao Centro, mas ouvi um senhor conversando sobre a violência e fiquei assustada — contou a estudante de Direito Ivone Paula Santana. De férias da faculdade e do trabalho, ela contou que agora está pensando em "ficar quietinha em casa" até o fim da greve da polícia.

"Tenho medo, claro. A minha vida é preciosa, eu não quero morrer".

Pontos turísticos tradicionais de Salvador, como o Pelourinho, estão sendo patrulhados por soldados do Exército.

Desde o agravamento da situação na Bahia, na sextafeira, o governo federal já mandou cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança para reforçar a segurança.

Mas o turismo já começa a sofrer com o clima de tensão espalhado pelos PMs grevistas e por vândalos.

Shows do pré-carnaval já foram cancelados desde o fim de semana. O governador da Bahia, Jaques Wagner, já afirmou, porém, que conseguirá resolver a situação e que o carnaval está garantido.