Título: Investimento de US$ 27 bi em sondas
Autor: Lins, Adriana; Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 11/02/2012, Economia, p. 30
BNDES financiará metade do valor para Sete Brasil, que venceu licitação da Petrobras
Divulgação
A Sete Brasil investirá US$ 27 bilhões para contratar a construção de 30 sondas para o pré-sal brasileiro, que ficarão prontas até 2020. Criada justamente para incentivar a produção do equipamento em território nacional, a empresa já tem contratadas 28 sondas para Petrobras (21 delas assinadas na última quinta-feira). Outras duas serão feitas mesmo sem contrato assinado. Do volume total de investimento, metade virá do BNDES, através de políticas de apoio ao conteúdo nacional. Cerca de US$ 6,5 bilhões serão investidos pela própria companhia e os outros US$ 7 bilhões virão de agências de crédito à exportação, já que haverá fornecedores do exterior, e de bancos comerciais.
- Com essas 28 sondas para Petrobras (que somam contratos de US$ 75 bilhões), é possível obter financiamento para a produção dos 30 equipamentos e até mais. Com esse contrato, a Sete Brasil se tornará a maior empresa do setor no mundo em número de sondas para águas ultraprofundas - explica João Carlos Ferraz, presidente da empresa e ex-Petrobras.
Ferraz lembrou ainda que a Sete Brasil ganhou a licitação da Petrobras após ter oferecido um desconto de 8,5% para a estatal, em um contrato de afretamento de 15 anos, após a entrega das sondas. Segundo o executivo, o contrato de afretamento é de US$ 530 mil por dia. Além das 21 sondas anunciadas na quinta-feira, a empresa já tinha encomendas para construir outros sete equipamentos de perfuração.
Empresa planeja aumento de capital no 1º trimestre
A Sete Brasil é uma empresa que reúne investidores para a construção de equipamentos para a exploração de óleo e gás. Entre seus acionistas estão a Petrobras, fundos de pensão (Petros, da Petrobras, Previ, do Banco do Brasil, Funcef, da Caixa, e Valia, da Vale) e bancos (Bradesco, BTG e Santander) que comandam 95% da companhia, através da Fip Sondas. Os outros 5% são da Petrobras.
Ferraz disse ainda que a Sete Brasil irá aumentar seu capital - atualmente de R$ 1,9 bilhão - para poder fazer frente às novas encomendas. A ideia é que a operação aconteça até o fim do primeiro trimestre. Segundo Ferraz, todos os atuais acionistas já se mostraram favoráveis a aportarem novos recursos.
- Os atuais acionistas têm direito ao aumento de capital. Mas se houver sobras, a Luce Drilling, de Aldo Floris, assinou compromisso de investir até R$ 300 milhões; e a EIG Group, de Washington, outros R$ 500 milhões. Há outros investidores interessados - destaca Ferraz.
Ferraz disse ainda que a Sete Brasil está avaliando o investimento em novos nichos de mercado para o pré-sal:
- Queremos participar dessa oportunidade que é o pré-sal. Analisamos a participação em outros nichos, como barcos de apoio e navios de transporte para a exploração de petróleo.
Para as 21 sondas da Petrobras, a Sete Brasil negocia a construção de seis sondas com o Estaleiro Enseada de Paraguaçu, na Bahia, de cinco sondas com o estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, de outras cinco com a Keppel Fels, no Rio de Janeiro, de três sondas com o Rio Grande 2, no Rio Grande do Sul, e outras duas sondas com a OGX, de Eike Batista, no Rio.
Pelo modelo de negócios, a Sete Brasil encomenda as sondas aos estaleiros e se associa, em joint venture, a operadoras do setor, alugando o pacote completo às petrolíferas (como a Petrobras). Nesse caso, a Sete Brasil vai se associar a operadores como Odebrecht, Queiroz Galvão, Sea Drill, Petroserv, Odfjell e Etesco.
- A Sete e o operador são donos das sondas - diz Ferraz.