Título: Comperj, com obras paradas, tem novo dia de tumulto com grevistas
Autor: Lins, Adriana; Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 11/02/2012, Economia, p. 30
Trabalhadores tentam iniciar movimento e apedrejam ônibus no local
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OPERÁRIOS NAS obras do Comperj: paralisação atinge construção da Petrobras que lutam por salários
Fabio Rossi
MUDANÇAS NA ESTATAL
As obras do Complexo Petroquímico do Rio de janeiro (Comperj), em Itaboraí, viveram ontem outro dia de confusão e paralisação. O tumulto aconteceu entre os operários que trabalham no local, e o motivo seria a discordância em relação ao valor do dissídio negociado pelas empresas que formam os consórcios. Entre eles estavam operários da Andrade Gutierrez e da Alusa Engenharia. Não foi divulgado quantos dos cerca de 15 mil funcionários que atuam nos 20 consórcios que constroem o Comperj chegaram a parar.
Segundo relato de funcionários, que preferiram não se identificar, a confusão começou cedo, quando alguns operários que pretendiam entrar em greve nesta sexta-feira, tentaram impedir a entrada de outros que não quiseram aderir à paralisação.
Os trabalhadores que defendem a greve teriam ido em cada canteiro de obra para tentar mais adesão ao movimento. No desentendimento, um ônibus foi apedrejado e dois operários ficaram feridos sem gravidade.
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que os trabalhadores de alguns consórcios que realizam as obras estão parados desde ontem.
Segundo o diretor, a data-base da categoria é fevereiro e os trabalhadores ainda estariam em negociações com as empresas que formam os consórcios.
- A negociação é dos trabalhadores com as empresas, nós não participamos. Mas esperamos que cheguem a um bom termo na negociação - destacou Paulo Roberto.
Segundo ele, a obra não está parada porque alguns consórcios continuam com seus empregados trabalhando. Funcionários que não se identificaram, no entanto dizem que não há mais nenhum operário trabalhando nesta tarde no Comperj.
A assessoria de imprensa da Petrobras confirmou a paralisação das atividades e a liberação dos trabalhadores. Ainda segundo a empresa, foram registrados atendimentos médicos sem gravidade e a situação já se encontrava controlada. O caso será registrado na 71 DP (Itaboraí). A empresa fez um comunicado interno com informações e orientações a seus funcionários sobre a situação.
O prazo de entrada em operação do Comperj é em fins de 2014. O diretor disse não ser possível estimar se a paralisação poderá atrasar o cronograma.
Em novembro do ano passado, trabalhadores de quatro consórcios também realizaram paralisações, pedindo equiparação salarial. Além disso, ao menos a morte de um trabalhador já foi registrada nas obras, por acidente de trabalho.