Título: Novas formas de prever o futuro
Autor: Jim O’Neill
Fonte: O Globo, 19/02/2012, Economia, p. 29

Indicador avalia capacidade de 180 países de atingir alto padrão de renda

SÃO PAULO. O economista Jim O"Neill não cansa de se dizer surpreso com o desempenho do Bric na última década. Ele confessa isso em seu novo livro "O mapa do crescimento: oportunidades econômicas no Bric", admitindo que, olhando para trás, poderia ter sido mais audacioso nas previsões de crescimento a longo prazo. O trunfo do seu livro não se resume ao balanço da saga do Bric, mas traz uma discussão sobre o que realmente faz com que um país se torne de renda elevada. E, a partir daí, levando em conta diversas variáveis, especialmente demográficas, traçar macrotendências. A criação do Growth Environment Score (GES, Índice de Capacidade de Crescimento) — indicador que usa13 variáveis macro e microeconômicas para medir a capacidade de 180 países de fazer convergir suas economias para altos padrões de renda — avança muito ao incluir no árido terreno das análises econômicas variáveis não econômicas, como uso de internet e computadores, educação, Justiça, níveis de corrupção, estabilidade política, expectativa de vida, entre outros. Educação e uso de tecnologia são, para ele, pontos-chave das grandes transformações. O comércio entre o Bric foi apontado por O"Neill como o grande trunfo de crescimento, com Brasil e Rússia oferecendo boa parte das commodidites de que precisam China e Índia. — No Bric, o comércio foi de fato a chave para o sucesso do acrônimo — diz Christian Deseglise, executivo-sênior de Distribuição de Fundos do HSBC na América Latina e codiretor do BricLab da Universidade de Columbia. — Não se pode também menosprezar o impacto da apreciação do câmbio desses países. O Goldman Sachs projeta que as dez maiores economias do planeta em 2050 serão EUA, China, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Reino Unido, Alemanha, França e Itália. O conceito N-11 (Next Eleven, os próximos candidatos a se tornarem Bric), criado em 2005, é desenvolvido para explicar a importância de um grande mercado consumidor na trajetória do desenvolvimento. O grupo (Bangladesh, Egito, Indonésia, Irã, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Coreia do Sul, Turquia e Vietnã) tem pouco em comum. — O N-11 é um conceito arriscado porque não há estabilidade política em muitos países. É o caso do governo no Egito, dos fundamentalistas no Paquistão ou a possibilidade de crise entre Irã e Israel, cada vez maior — diz Fabiano Mielniczuk, do Centro de Estudos dos Países Bric da PUC-Rio e da prefeitura carioca. Sobre o Brasil, O"Neill não economiza elogios, mas adverte para o risco da doença holandesa, consequência da supervalorização do real, que poderá afetar a produção industrial e as exportações. Para ele, em 2050, o país terá uma economia de US$ 10 trilhões. (Gilberto Scofield Jr.)n