Título: Curto x longo prazo
Autor: Vidor, George
Fonte: O Globo, 27/02/2012, Economia, p. 21
Se comparada a outras grandes estatais de petróleo (como a Pemex, no México, ou a PDVSA, na Venezuela), a Petrobras tem ainda razoável autonomia de voo, graças à obrigação de prestar contas a centenas de milhares de acionistas minoritários. Quem compra ação da Petrobras sabe que uma estatal desse porte não é uma empresa comum, pois ela sempre servirá como instrumento de políticas públicas.
Se forem políticas de estado, nada mal, pois, a médio e longo prazos, a própria empresa é uma das grandes favorecidas pelo desenvolvimento do país. Com seu pacote de investimentos, a Petrobras se propõe a fortalecer uma cadeia de fornecedores no Brasil, mesmo que no curto prazo isso custe algo a mais. Prestadores de serviços e fabricantes de itens utilizados na indústria de petróleo somente têm condições de deslanchar quando atingem determinado patamar de produção, e é o que se espera que aconteça, por exemplo, no caso dos estaleiros. A siderurgia brasileira antes não se interessava em produzir aço para cascos de navios e agora terá de fazê-lo, diante de uma demanda potencial que pode atingir meio milhão de toneladas por ano até o fim da década.
Desse modo, a tendência é de redução de custos a médio prazo na cadeia de suprimentos da indústria do petróleo. Por isso, os analistas financeiros são quase unânimes em projetar considerável melhora nos resultados da Petrobras no futuro, provavelmente a partir de 2015. O problema está então no curto prazo. A nova presidente, Maria das Graças Foster, terá de usar mão de ferro para aumentar os lucros da companhia de imediato.
Em abril, a Bombardier vai inaugurar sua linha de produção de Hortolândia (município vizinho a Campinas), da qual sairão os trens do primeiro monotrilho brasileiro, que circulará, já no fim do ano que vem, na povoada Zona Leste da cidade de São Paulo. Essa unidade funcionará em galpões da antiga Cobrasma, que já são em parte ocupados pela própria Bombardier na recuperação de trens urbanos e vagões de metrô. A intenção da empresa é transformar o monotrilho da Zona Leste em um marco tecnológico nesse tipo de trem, exportando também a partir da unidade de Hortolândia, que será a maior do grupo no segmento.
As obras civis do monotrilho, a cargo da construtora Queiroz Galvão, estão adiantadas em um trecho de cinco quilômetros, que parte da estação de Vila Prudente. Em 2016, a linha terá 24 quilômetros, passando por 17 estações. Os trens serão construídos com uma liga leve de alumínio, importada da China, mas a Bombardier promete chegar a um conteúdo local de 65% na fábrica de Hortolândia.
Por causa da redução do peso dos carros, cada composição poderá atingir a velocidade de 80 quilômetros por hora. Automatizados, os trens não terão condutores e transportarão cerca de 40 mil pessoas por hora. Como o monotrilho será o prolongamento de uma linha de metrô, os passageiros que embarcarem nas últimas estações deverão levar 50 minutos até a área central de São Paulo. Hoje, não conseguem fazer esse percurso, usando transporte público, em menos de duas horas e meia.
O investimento no monotrilho da Zona Leste está orçado em US$ 1,44 bilhão. Uma linha convencional de metrô transportaria mais pessoas, porém custaria o dobro, e exigiria mais tempo para ser construída. No caso do monotrilho, a obra civil é relativamente fácil porque os pilares e as vigas de concreto são pré-moldados, e ocupam pouco espaço. São Paulo terá um segundo monotrilho, entre o aeroporto de Congonhas e o bairro do Morumbi. Esse outro projeto será feito por um empresa da Malásia, associada ao grupo brasileiro MPE.
No Rio, ainda não há projetos para monotrilhos, mas pode ser uma solução para integrar, por exemplo, o Recreio dos Bandeirantes e a Baixada de Jacarepaguá à futura linha 4 do metrô, cuja estação final está sendo construída no Jardim Oceânico. Ao que tudo indica, para outras cidades o adotarem como uma das soluções de transporte de alta capacidade, o monotrilho terá de passar por um teste São Tomé em São Paulo.
E a propósito da linha 4 do metrô do Rio, logo que ficar pronto o acesso subterrâneo ao local onde ficará a estação Rocinha/São Conrado, serão abertas duas novas frentes de trabalho. O túnel da linha 4 hoje está sendo escavado na direção da Barra para São Conrado. Com essas duas novas frentes, as escavações do túnel serão feitas também simultaneamente na direção São Conrado-Barra, e São Conrado-Gávea-Leblon. A nova linha está programada para funcionar no fim de 2015.
O avanço da tecnologia da informação permite que empresas dos mais variados portes hoje usem instrumentos para racionalizar seus custos, obtendo ganhos que lhes permitem se dedicar mais ao chamado coração do seu negócio. Assim, vêm surgindo companhias de base tecnológica que assumem esse tipo de tarefa. A carioca Webb, por exemplo, tem se destacado no gerenciamento de compras e logística (movimentando o equivalente a US$ 9,5 bilhões nos últimos doze anos), e se associou recentemente a um grupo alemão (Brain Net) que tem grandes multinacionais entre os clientes. Compras abaixo de R$ 20 mil costumam ser transferidas para essas gestoras, que se encarregam de acompanhar toda a cadeia de suprimentos, para que os prazos de entrega sejam cumpridos à risca, dentro das condições contratadas. Até os caminhões são monitorados quando saem dos centros de distribuição para realizar as entregas.
Por causa desse sistema, descobriu-se uma vez que um motorista sempre se atrasava quando fazia um determinado trajeto. É que ele era freguês de um bordel que ficava no meio do caminho. O motorista teve de fazer uma opção, deixando de misturar lazer e trabalho. A Webb conta hoje com mais de 400 profissionais, distribuídos pelas unidades do Rio, São Paulo e Cidade do México.