Título: Estabilizar Europa após calote custaria 1 tri
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Fonte: O Globo, 03/03/2012, Economia, p. 25

Estimativa é de associação mundial de bancos. Moody"s reduz nota de crédito da Grécia

ATENAS. A Europa precisaria de 1 trilhão para estabilizar seu sistema financeiro caso seja decretado um calote total da Grécia. A previsão está em um relatório confidencial do Instituto Internacional de Finanças (IIF), que foi entregue a autoridades europeias e gregas no último dia 18 e cujo conteúdo foi divulgado ontem pela revista grega "Athens News". A conclusão do documento é de que a Grécia é grande demais para quebrar.

Caso a Grécia deixe de honrar seus compromissos financeiros, a instabilidade gerada por esta situação afetaria principalmente o Banco Central Europeu (BCE), que está exposto aos títulos da dívida grega em 177 bilhões. Os países mais vulneráveis da zona do euro no momento - Portugal, Irlanda, Itália e Espanha - também poderiam ser desestabilizados.

Ontem à noite, a agência de classificação de risco Moody"s rebaixou a nota da Grécia ao menor nível de sua escala, de "Ca" para "C". No comunicado, a Moody"s argumenta que o risco de calote da dívida permanece alto mesmo depois do acordo que impõe perdas de 70% no valor nominal de títulos da dívida grega a credores privados. Em fevereiro, a Standard & Poor"s também rebaixou a nota da Grécia, para "SD", situação de "calote seletivo", e a Fitch também piorou o rating de "CCC" para "C".

O relatório do IIF indica que, para evitar a quebra da Irlanda e de Portugal, seria preciso injetar 380 bilhões. Estes países dependem em grande medida da liquidez do BCE, que passaria por grandes dificuldades com o calote grego. E, para evitar a contaminação de Itália e Espanha, seria preciso mais 350 bilhões. Haveria a necessidade de outros 160 bilhões para recapitalizar os bancos mais expostos à dívida grega.

Já o custo para a economia mundial como um todo seria ainda maior, de acordo com o documento do IIF: "Seria um golpe direto à demanda agregada global e aos fluxos comerciais, já que a zona do euro representa 26% do comércio mundial".

Com mais de 400 entidades financeiras de todo o mundo como membros, o IIF negociou com a Grécia o perdão de parte de sua dívida.