Título: Mantega considera resultado satisfatório
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 07/03/2012, Economia, p. 26
Antes do anúncio, Dilma culpou crise nos ricos por desaceleração de emergentes
Martha Beck
Deborah Berlinck*
BRASÍLIA e HANNOVER. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou satisfatório o desempenho da economia em 2011. O crescimento de 2,7% foi atribuído às medidas de restrição ao crédito - que o governo teve de adotar no primeiro semestre para conter pressões inflacionárias - e ao agravamento da crise internacional. Mantega disse que, sem a deterioração do quadro externo, o PIB teria crescido cerca de 4% no ano passado.
- Em termos de desempenho, o crescimento foi satisfatório. Acho que 2011 foi um bom ano para a economia, embora o crescimento do PIB não tenha sido tão alto quanto nós esperávamos - afirmou.
O resultado já era esperado pela equipe econômica, que chegou a trabalhar nos bastidores com a possibilidade de o crescimento de 2011 ficar em 2,5%. Oficialmente, a última projeção era de 3,2%. Para Mantega, o fato de o governo ter pisado fortemente no freio no início de 2011 - o que acabou comprometendo o resultado do ano - não foi um erro:
- Havia uma inflação mundial que corria o risco de afetar o Brasil.
O ministro fez questão de destacar que a economia terminou 2011 em aceleração e que o resultado de 2012 será melhor:
- O importante é que começamos 2012 com a economia aquecida. Vimos um aquecimento em novembro e dezembro que vai continuar este ano. Estamos numa trajetória maior que em 2011. O ápice vai ser no segundo semestre, quando a economia estará crescendo a 5%. Vai fechar o ano (com alta) entre 4% e 4,5%.
O ministro destacou que o governo conseguiu conter as pressões inflacionárias e que esse não deve ser um problema em 2012, já que as commodities, que pressionam fortemente o IPCA, devem sofrer uma queda.
Já a presidente Dilma Rousseff encerrou ontem dois dias de viagem à Alemanha, culpando a crise nos países ricos pela desaceleração no crescimento no mundo emergente. E cobrou solução.
Em entrevista, ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, durante visita à maior feira de tecnologia do mundo, a CeBIT, Dilma disse que "não são os países em desenvolvimento que estão sofrendo pressão nas suas taxas de crescimento, mas também os países emergentes".
- Na verdade, o que tem acontecido é que os países emergentes têm visto suas taxas de crescimento diminuir - reclamou, antes da divulgação do PIB.
O governo, segundo Dilam, agirá de forma "pró-ativa" para aumentar o crescimento do país. Mas fará isso "respeitando o equilíbrio macroeconômico com finanças públicas e uma estrutura fiscal sólida".
A presidente disse que quer ver mais empresas alemãs expandindo investimentos no Brasil, "tanto em infraestrutura quanto nos grandes eventos, como Copa e Olimpíadas".
Dilma repetiu, desta vez em público, ao lado de Merkel, a queixa de que a expansão monetária nos países ricos - primeiro nos EUA e agora na Europa - está prejudicando países emergentes. O Brasil está particularmente incomodado com a decisão do Banco Central Europeu de emprestar 530 bilhões a juros subsidiados aos bancos da região. Isso estaria provocando aumento do fluxo de capital em busca de melhor rendimento nos emergentes, afetando o câmbio.
- Isso provoca desvalorização das moedas, o que consideramos bastante adverso para o comércio internacional do Brasil - afirmou Dilma.
Já Merkel reconheceu que muita liquidez provoca instabilidade e que este não é o objetivo da União Europeia. Mas justificou:
- Temos que aproveitar o tempo que temos agora para estabilizar a situação.
Quando um jornalista estrangeiro perguntou à Dilma se o governo vai parar de adotar medidas protecionistas, a presidente não deixou dúvida de que o Brasil vai reagir para se defender.