Título: Com cortes de gastos, PAC é insuficiente
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 09/03/2012, Economia, p. 29
Execução de obras também é afetada pela burocracia
BRASÍLIA. Marca dos governos petistas, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deixa muito a desejar como indutor do crescimento da economia. Afetado indiretamente pelos cortes no Orçamento e vítima da burocracia, vem tendo uma execução muito aquém do esperado. Embora os desembolsos com o programa tenham crescido, são em valor muito menor do que o país precisa para garantir a realização de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, por exemplo.
Os investimentos do PAC incluídos no Orçamento de 2011 chegavam a R$ 35,4 bilhões, mas foram executados R$ 28 bilhões. Parte desse baixo resultado deve-se ao ajuste fiscal imposto pela equipe econômica às contas públicas. O programa não é contingenciado diretamente, mas como o governo decidiu fazer um superávit maior - a meta cheia prevista para o ano, sem desconto dos investimentos do PAC - parte das despesas do programa acabaram sacrificadas.
Crise política também atinge o programa
O PAC também foi afetado pela crise política que tomou conta do governo no ano passado. A crise prejudicou a execução orçamentária de órgãos importantes como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), que esteve envolvido em denúncias de irregularidades. O órgão praticamente parou para que houvesse troca de comando e revisão de todos os contratos em 2011. Dados do Siafi de janeiro mostraram que o Departamento - que tem o maior orçamento dentro do Ministério dos Transportes - tinha uma verba de R$ 15,6 bilhões, empenhou R$ 12,3 bilhões e gastou, efetivamente, R$ 5,5 bilhões.