Título: BC chinês sugere moeda em equilíbrio
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 13/03/2012, Economia, p. 23

Autoridades dizem que déficit comercial mostra que yuan já não está tão desvalorizado

Do El País*

MADRI. O governo chinês sugeriu ontem que o yuan já não está "significativamente desvalorizado", alimentando as acusações dos EUA sobre a manipulação de Pequim no câmbio chinês. O freio do crescimento do gigante asiático nos primeiros meses do ano abriram as portas a novas medidas de estímulo por parte do ministro Wen Jiabao. Mas o resultado negativo da balança comercial levou autoridades do Banco Central (BC) da China a sugerirem que o yuan teria alcançado seu ponto de equilíbrio.

O presidente do BC, Zhou Xiaochuan, classificou ontem o déficit comercial dos primeiros dois meses de 2012 e seu impacto na moeda chinesa como fenômenos "positivos" para alcançar uma balança internacional de pagamentos mais equilibrada. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) caiu para 7,5% este ano.

Segundo Zhou, a maior incerteza para a economia do país são a lenta recuperação global e a instabilidade econômica e financeira da zona do euro. Em seus discurso no Congresso Nacional do Povo, Zhou adotou um tom cauteloso e evitou responder de maneira clara sobre uma possível queda da moeda:

- Não é tão simples - afirmou no plenário do Congresso. - De uma forma geral, à proporção que o yuan se aproxima do ponto de equilíbrio, a oferta e a demanda do mercado tende a ter um papel mais preponderante.

Mas o vice-presidente da autoridade monetária e diretor da Administração Estatal de Câmbio Exterior, Yi Gang, assegurou que a China continuará diversificando seus investimentos em bônus estrangeiros sempre que não registrem perdas. E se referiu à balança comercial do país:

- Esse déficit comercial é um sinal positivo de que a taxa de câmbio do yuan está perto de seu nível de equilíbrio, disse Yi.

Controle do câmbio é ponto de atrito com parceiros comerciais

O déficit comercial de fevereiro foi de US$ 31,48 bilhões, o mais alto em uma década. A segunda maior economia do mundo reduziu suas metas de crescimento do PIB para 2012 a 7,5%, ante os 9,2% alcançados em 2011, devido à contração da demanda interna e das exportações.

Os EUA e outros parceiros comerciais vêm criticando duramente a política cambial chinesas, argumentando que a desvalorização artificial do yuan dá aos exportadores chineses uma vantagem desleal. Reportagem do jornal britânico "Financial Times" lembrou ontem que, desde que a China abandonou a paridade do yuan com o dólar em julho de 2005, a moeda chinesa se apreciou apenas 30% em relação à moeda americana. E Pequim reinstituiu informalmente a paridade em 2008, durante a crise global, mantendo um câmbio fixo do yuan em relação ao dólar por dois anos. Após uma valorização de 5% em 2011 contra a moeda americana, o yuan praticamente manteve-se no mesmo patamar.

(*) Com agências internacionais