Título: Entra em campo o gauchério
Autor: Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 13/03/2012, O País, p. 4

Dilma aumenta a representação de gaúchos em seu Ministério

BRASÍLIA. Aos poucos, não é mais o "paulistério" que chama a atenção na Esplanada dos Ministérios. Com a escolha do gaúcho Pepe Vargas para assumir a pasta do Desenvolvimento Agrário (MDA), a presidente Dilma Rousseff aumenta o número de ministros oriundos do Rio Grande do Sul, o que começa a gerar ciúmes e comentários de que ela esteja montando um "gauchério". São agora sete gaúchos no primeiro escalão; quando o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) for confirmado como ministro do Trabalho, serão oito.

Também são do Rio Grande do Sul o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams; e os ministros Mendes Ribeiro (Agricultura), Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia), Maria do Rosário (Secretaria de Direitos Humanos). Tereza Campello, da Secretaria de Desenvolvimento Social, nasceu em São Paulo mas é do PT gaúcho, fez carreira política no estado e é casada como deputado Paulo Ferreira (PT), que assume a vaga de Vargas na Câmara .

A presidente vai optando por políticos conhecidos quando era secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul. Advogado trabalhista Carlos Araújo, ex-marido e confidente da presidente, diz que é bobagem falar em "gauchério":

- Isso não é verdade! É uma coincidência! Falavam a mesma coisa quando, no governo Fernando Henrique, tinha muito ministro paulista e diziam que era o "paulistério". Se tem mais ministros do Rio Grande ou de São Paulo é porque são os mais competentes e qualificados - diz.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) rechaça a ideia de que os gaúchos estejam dominando o governo. Afirma que o poder das pastas ocupadas pelo estado é reduzido.

- Os ministérios importantes estão na mão de São Paulo! - diz Simon.

Enquanto isso, cai o número de baianos no governo, com a saída de Afonso Florence do MDA. O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (PT-BA), admite que o estado sai perdendo:

- A saída dele é uma baixa para o estado. Mas a avaliação é que a relação com Dilma deve se dar mais através de investimentos que por ocupação de cargos. Espero que ela multiplique por três os investimentos no estado - disse Pinheiro, esperando que aportes financeiros compensem a saída dos baianos Afonso Florence, Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades, e José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras.