Título: Também no governo faltou comunicação
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 19/03/2012, Economia, p. 15
Mônica Tavares
BRASÍLIA. A falta de coordenação entre os órgãos do governo atrasou a divulgação do novo vazamento de petróleo da Chevron na Bacia de Campos e, consequentemente, as ações para contê- lo, às vésperas de sediar a conferência mundial Rio+20. No dia 13, enquanto a nova diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, anunciava o encerramento das investigações sobre o vazamento no campo de Frade em novembro de 2011, o Ibama já registrava em seus sistemas a informação, enviada pela própria Chevron, de que o petróleo voltava a vazar.
Mas nada foi repassado a Magda.
No dia 14, o presidente para a África e América Latina da Chevron, Ali Moshiri, e o presidente da empresa no Brasil, George Buck, se encontravam com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em Brasília. Na saída do encontro, disseram à imprensa que queriam retomar as atividades no campo de Frade o mais brevemente possível.
Mas o novo vazamento não foi abordado na reunião. Desde então, Lobão também não se pronuncia sobre o assunto.
Naquele mesmo dia, a ANP autuava a empresa por não mostrar salvaguardas para evitar novos vazamentos e determinava a instalação de um coletor no novo ponto por onde o petróleo saía.
Na dia15, a Chevron tornou público o problema. Mas dizia que era um vazamento de apenas cinco litros. O diretor de Assuntos Corporativos da Chevron, Rafael Jaen, dizia não haver relação entre os dois vazamentos. Mas o Ibama falava, no mesmo dia, segundo informações preliminares, que o novo incidente era "provavelmente decorrente do vazamento de novembro de 2011".
No sábado (17), ou seja, quatro dias depois de o governo ter sido notificado do novo incidente, veio a público a informação, por meio de nota da Marinha (conjunta com ANP e Ibama), de que havia uma mancha "de mais de um quilômetro" de extensão.
Essa demora dificulta o controle dos estragos de vazamentos, explica o pesquisador Claudio Egler, especialista em Geoeconomia da UFRJ: — Nesses primeiros momentos é que as principais medidas precisam ser tomadas para evitar ao máximo a propagação.
Uma saída para evitar ou minimizar esses desencontros no governo em ações contra vazamentos é a implantação do Plano Nacional de Contingência (PNC). Ele já está pronto, mas ainda falta aprovação de todos os ministros envolvidos e da presidente Dilma Rousseff. O plano define orçamento e papéis de Marinha, ANP e Ibama para atuação nesses casos, além de estabelecer meios para tornar mais ágil a comunicação entre eles e a reação às emergências.