Título: Enade mudará para evitar fraudes
Autor: Souza, André de
Fonte: O Globo, 15/03/2012, O País, p. 13

Ideia é evitar que universidades excluam os piores alunos da avaliação federal

BRASÍLIA. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que avalia os alunos universitários do primeiro e do último ano do curso, sofrerá mudanças para evitar que universidades selecionem apenas os melhores alunos para fazer a prova. Ontem na Câmara, o ministro Aloizio Mercadante informou que além dos estudantes que cursam o último semestre, também serão obrigados a prestar o exame os que estão a um ano de se formar.

As novidades foram anunciadas após denúncia de que a Universidade Paulista (Unip) estaria selecionando apenas seus melhores alunos para melhorar sua nota na avaliação. A instituição nega ter adotado tal estratégia.

- A mudança básica é que todos os alunos concluintes do semestre em que a prova é feita e do próximo semestre terão que fazer a prova. Portanto, tentar adiar a formatura de um estudante para melhorar o desempenho não será permitido - afirmou Mercadante.

- Ela (a portaria que será publicada) resolve o problema que nós identificamos de postergar a formatura de alguns alunos por um semestre, intencionalmente ou não, para poder eventualmente ter um melhor desempenho no Enade - acrescentou.

O ministro também falou das dificuldades de aplicação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), usado como vestibular em várias universidades, e obrigatório para quem quiser uma bolsa em instituição privada por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni).

- Onde está a dificuldade do Enem? Em primeiro lugar, no banco de questões. Pela Teoria de Resposta ao Item, nós temos que ter um banco robusto para poder suportar com segurança os Enens futuros, inclusive a possibilidade de fazer duas provas por ano - disse o ministro.

- O segundo desafio é a redação, porque sempre tem alguma subjetividade. Então vamos diminuir a dispersão da nota e criar uma banca mais rigorosa de correção. Estamos ainda concluindo esses estudos para dar total segurança.

O ministro voltou a comentar o gigantismo do Enem. No mês passado, ele disse que "o MEC não tem culpa de o Brasil ser tão grande e diverso", para falar dos riscos logísticos ligados ao exame. O ministro citou problemas na aplicação, no último fim de semana, da prova do Senado, argumentando que no Enem foram 5,4 milhões de inscritos na última edição, enquanto o concurso do Senado teve apenas 10 mil.