Título: Dilma pedirá investimentos a empresários
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 21/03/2012, Economia, p. 21

Presidente se reunirá com líderes de vários setores para tentar garantir crescimento da economia de 4,5% este ano

Vivian Oswald

Geralda Doca

BRASÍLIA. Depois de cobrar da equipe econômica e dos principais ministérios de seu governo um conjunto de medidas para garantir um crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) para o país este ano, a presidente Dilma Rousseff fará o mesmo com a iniciativa privada. Amanhã, ela se reunirá com 30 pesos-pesados da economia brasileira de diversos setores com esse objetivo. A presidente quer mais investimentos para azeitar o crescimento.

Na lista dos convidados estão desde Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, aos donos das empreiteiras Odebrecht, Camargo Correa e Andrade. Também estarão presentes Abílio Diniz, do grupo Pão de Açúcar, e os presidentes da Cosan, o maior grupo sucroalcooleiro do Brasil, e da JBS-Friboi, a maior empresa em processamento de proteína animal do mundo.

Neste momento, o governo prepara incentivos para turbinar a economia em 2012. Como antecipou O GLOBO há três semanas, entre as medidas em estudo estão a ampliação da lista de setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamento e a prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para a linha branca (máquinas de lavar, tanquinhos, geladeiras e fogões), cujo prazo se encerra em 31 de março. Os setores moveleiro, de plástico, têxtil, aeroespacial, indústria naval e autopeças devem ser os próximos a ter os encargos sobre a folha reduzidos.

Em reunião ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, representantes dos setores de máquinas e equipamentos e a indústria naval afirmaram que querem pagar 1% sobre o faturamento em troca da desoneração da folha de pagamento (contribuição patronal de 20% para o INSS). Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso Cardoso, essa é a alíquota ideal para que toda a cadeia produtiva seja beneficiada, inclusive as empresas mais informatizadas, que empregam poucos funcionários.

Abimaq: Mantega não pediu contrapartida em empregos

Depois do encontro, Cardoso disse que o setor poderá gerar 50 mil empregos, num prazo de dois anos. Ele deixou claro, no entanto, que, durante o encontro, o ministro não cobrou como contrapartida a manutenção dos empregos. O setor de bens de capital emprega 265 mil trabalhadores e faturou em 2011 R$ 80 bilhões, segundo a Abimaq.

- Estamos acreditando que o governo vai atender os nossos planos, porque está bastante convencido de que a competitividade (da indústria nacional) tem que ser trazida de volta - disse Cardoso.

Ele acrescentou que a medida vai proteger o setor que exporta um terço da produção e enfrenta problemas de sazonalidade:

- Quando temos um faturamento alto ou baixo, pagamos o mesmo sobre a folha de salários. Agora vamos pagar mais quando o faturamento for mais alto.

Sem dar detalhes, Cardoso disse ainda que o ministro informou que irá aumentar em 1% a tributação da Cofins para importação de bens de capital. Afirmou também que a Fazenda está atenta à reivindicação do setor produtivo de corte nos juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES, atualmente operando com duas linhas, de 6,5% e 8,5% ao ano.