Título: Desemprego subiu para 5,7%, mas é o menor índice para fevereiro
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 23/03/2012, Economia, p. 22

Prévia da inflação oficial desacelera para 0,25% e surpreende analistas

RIO e BRASÍLIA. A despeito da economia brasileira estar caminhando num ritmo abaixo de sua capacidade, o mercado de trabalho segue aquecido. Em fevereiro, a taxa de desemprego atingiu 5,7% - a menor para o mês desde 2003, segundo o IBGE. Ficou pouco acima do que se observou em janeiro (5,5%) e bem abaixo da taxa de fevereiro de 2011 (6,4%). As seis principais regiões do país têm 1,4 milhão de desempregados, alta de 5% frente a janeiro, mas um recuo de 8,6% frente igual mês de 2011.

- O ano começa com taxas menores que as de 2011. Ainda assim, houve aumento no número de desocupados superior ao da ocupação. É um processo normal, pois se trata da continuidade da dispensa dos temporários contratados no fim do ano passado - disse Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE, acrescentando que, em um ano, mais de 500 mil pessoas passaram a ter carteira de trabalho assinada.

Em fevereiro, o salário médio foi para R$ 1.699,70, avanço de 4,4% no último ano. Frente a janeiro, alta de 1,2%. Trata-se do valor mais alto desde o início da série, em março de 2002. Está no setor da construção o maior avanço dos ganhos mensais, de 13,4% na comparação anual.

- A renda só não é tão preocupante porque a atividade não está elevada. Expansão da renda, num ritmo forte, não é saudável pois pressiona a inflação - avaliou André Perfeito, economista da Gradual Investimentos.

Em março, a prévia da inflação oficial - o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) - surpreendeu positivamente os analistas ao ficar em 0,25%, metade da taxa anterior de 0,53%. No ano, o índice está em 1,44% e, em 12 meses, em 5,61%. A redução dos efeitos da alta da educação pesou para desacelerar a inflação. O preço das carnes recuou 1,57% e fez do item a principal contribuição para baixo no IPCA-15.

Mantega: inflação menor permite estimular economia

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a inflação deste ano será "muito menor" que a do ano passado.

- O resultado do último IPCA foi muito bom, mostrando que vamos ter um IPCA mais baixo. Mostra que a inflação deste ano será muito menor que a do ano passado. Significa que os instrumentos que nós usamos foram apropriados. A inflação mais baixa permite que o governo seja mais proativo, estimule mais a economia para ela poder crescer mais graças à inflação baixa - disse Mantega.

Para Luis Otavio Leal, economista do ABC Brasil, "o resultado foi bom e, desta vez não há poréns". Com o resultado, o banco revisou sua projeção para o fechamento do mês de 0,45% para algo entre 0,35% e 0,40%. O economista Eduardo Velho, da Prosper Corretora, também revisou as estimativas do IPCA fechado de março. Espera variação de 0,35%, não mais 0,42%. Em sua avaliação, o comportamento dos preços abre espaço para mais uma redução de juros em abril, de até 0,75 ponto percentual:

- A inflação mais moderada é transitória. Houve um freio no consumo. Por causa do endividamento e de reajustes de preços administrados, as famílias deslocaram parte da renda para pagar dívidas. E isso se refletiu na desaceleração dos preços de despesas pessoais, que inclui serviços como refeição fora de casa.

COLABORARAM: Catarina Alencastro e Vivian Oswald