Título: Grupo Locanty também está no MP
Autor: Rocha, Carla
Fonte: O Globo, 27/03/2012, Rio, p. 13
Além de PF e Defensoria, empresários envolvidos em escândalo fornecem mão de obra a Procuradoria
Carla Rocha Luiz Ernesto Magalhães
Com serviços prestados à Polícia Federal - por meio de uma empresa à qual teria emprestado seu nome - e à Defensoria Pública do estado, o grupo Locanty também serve ao Ministério Público estadual. A empresa SCMM Serviços de Limpeza e Conservação, cujos donos são os mesmos da Locanty Com, venceu três pregões em 2010 para fornecer profissionais ao MP, como recepcionistas, copeiros, serventes e telefonistas, entre outros.
Os prazos dos contratos, firmados entre março e julho daquele ano, eram de 18 meses. Na época da concorrência, os sócios da SCMM eram Kelly Vieira de Melo e João Felipe Costa Siqueira. Logo depois de vencidos os pregões, em setembro de 2010, eles saem e assumem o controle João Barreto e Pedro Ernesto Barreto. Os dois são donos do grupo Locanty. Procurado, o Ministério Público estadual não se pronunciou sobre o caso.
Mais de R$10 milhões recebidos do MP em 2011
Os funcionários contratados pelo MP, através da SCMM, iriam trabalhar em unidades do órgão no Rio (Avenida Marechal Câmara, Centro), Barra do Piraí, Campos, Macaé, Itaperuna, Duque de Caxias e Volta Redonda.
Em 2010, a SCMM recebeu R$151.400 do Ministério Público. E mais R$2 milhões da Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia. No ano passado, os negócios da empresa com o estado cresceram. Somente do MP, recebeu mais de R$10 milhões, o maior faturamento junto a clientes de órgãos públicos estaduais em 2011. Entre eles, estavam ainda Faetec, Polícia Civil e Procuradoria Geral do Estado, além das secretarias de Ciência e Tecnologia e Planejamento e Gestão.
Ontem, O GLOBO obteve mais informações sobre os negócios de João e Pedro Barreto. Desde 1993, quando fundaram a primeira empresa que tinha o nome Locanty, os dois já foram parceiros em pelo menos 13 empresas, segundo informações da Junta Comercial do estado. Na década de 90, os investimentos incluíam até lojas de roupas na capital e na Baixada Fluminense, como a Moda Blu e a W Blue Comércio de Roupas Ltda. Naquela época, eles chegaram a se associar à Green, empresa de segurança e vigilância.
O clã Barreto também fundou ou controla mais cinco empresas de prestação de serviços no Rio. Yolanda Felippo Barreto, por exemplo, é sócia, desde 2008, da Import Service Serviços de Limpeza. Em 23 de agosto de 2010, Thalita de Oliveira Barreto e Thayza de Oliveira Barreto assumiram a e JDS Lujor Comércio. Elas sucederam João e Pedro Barreto que ficaram no comando da empresa por apenas onze meses.
Em 2001, João e Pedro Barreto estavam entre os quatro fundadores da Bioab Biotécnica Ambiental do Brasil Ltda. Em 2004, os outros dois sócios, que eram radicados em Minas, saíram, permanecendo apenas os Barreto. Atualmente, eles têm o controle total da empresa, cujo capital é de R$10 milhões. A exemplo de outras firmas do grupo, a Bioab também prestou serviços para o setor público. Em pelo menos dois casos, os contratos relativos à modernização de aterros sanitários em Angra dos Reis e Magé foram alvo de investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os conselheiros do tribunal questionaram o fato de a Bioab ter sido contratada sem licitação.
No Sul Fluminense, o MP investiga os contratos da Locanty para a coleta de lixo em Volta Redonda (já rescindido) e em Três Rios (em andamento). Em Resende, a prefeitura anunciou que vai auditar os dois contratos que tem com a Locanty. Enquanto durarem as investigações, os pagamentos estão suspensos.