Título: OCDE: crise do euro está longe do fim
Autor: Valente, Gabriela
Fonte: O Globo, 28/03/2012, Economia, p. 25

Espanha vende títulos de curto prazo com facilidade, mas taxa em 10 anos subiu

BRUXELAS, MADRI e RIO. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou ontem um alerta, afirmando que a crise da dívida na zona do euro ainda não foi superada, apesar dos sinais de calmaria nos mercados. Segundo a instituição, que reúne os principais países ricos e emergentes, os bancos do bloco de 17 nações continuam vulneráveis, o endividamento dos países está aumentando e as metas fiscais ainda estão longe de serem alcançadas. A OCDE recomenda reformas econômicas ambiciosas.

"A confiança do mercado na dívida soberana da região do euro é frágil", afirma o relatório. "A perspectiva para o crescimento é excepcionalmente incerta e depende da resolução da crise da dívida." A instituição prevê alta de 0,2% do bloco este ano.

Rogério Freitas, sócio da gestora Teórica Investimentos, destaca que a situação da crise da dívida na Europa ainda é complicada. O risco de contágio para Espanha, Portugal e Irlanda se mantém.

- O problema na Europa é estrutural, combinando excesso de dívida com baixo crescimento. Ações de injeção de liquidez e elevação dos fundos empurram a situação com a barriga - diz Rogério.

Espanha e Itália vendem títulos com facilidade

Ontem, Itália e Espanha conseguiram vender títulos de suas dívidas soberanas sem dificuldade. A Itália vendeu título com vencimento em dois anos por 2,35%, abaixo dos 3,01% registrados há um mês, graças a uma demanda sustentada por liquidez dada aos bancos pelos estímulos do Banco Central Europeu. Foi o menor rendimento para esse tipo de título desde novembro de 2010. A demanda foi quase duas vezes mais que os 2,8 bilhões vendidos.

A Espanha, mais pressionada que a Itália, vendeu com facilidade 2,6 bilhões em títulos de curto prazo. A taxa para títulos de seis meses caiu de 0,84% para 0,76% em um mês, apesar da preocupação persistente do mercado com sua capacidade de reduzir o déficit público. No entanto, os títulos da Espanha com prazos mais longos são um dos poucos da zona do euro que estão com rendimento em alta. A taxa do papel de 10 anos foi de 5,311%, maior que os 5,279% de 30 de dezembro. Movimento inverso do verificado pela própria Itália e pela França. O Tesouro espanhol vendeu 1,5 bilhão em títulos de três meses e 1,08 bilhão em títulos de seis meses.

Em dia de correção para baixo nas bolsas de valores do mundo, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuou ontem 0,97%, aos 66.037 pontos. O dólar comercial, que passou a maior parte do pregão em queda, na contramão do cenário externo, fechou em leve alta de 0,11%, a R$ 1,818. O Banco Central rolou contratos de compra de dólar no mercado futuro, mas não impediu a queda ao longo do dia. Rumores de que o governo taxaria todas as operações de câmbio influenciaram no fim do pregão, mas foram desmentidos pelo Ministério da Fazenda.

Nos EUA, caíram os índices Dow Jones (0,33%), S&P 500 (0,28%) e Nasdaq (0,07%). Na Europa, as atenções se concentraram nos leilões da Espanha e Itália. A Bolsa de Madri recuou 1,03%. Também caíram Londres (0,56%) e Paris (0,92%). Na Bovespa, OGX Petróleo ON (ordinária, com voto) caiu 3,47%, a R$ 15,28, e Petrobras PN (preferencial, sem voto) recuou 1,69%, a R$ 23,80.

(*) Com agências internacionais