Título: PT e PMDB unem forças no 2 turno em SP
Autor: Uribe, Gustavo
Fonte: O Globo, 28/03/2012, O País, p. 10

Pré-candidatos Haddad e Chalita firmam pacto de não agressão durante campanha eleitoral e fazem acordo para o futuro

SÃO PAULO E BRASÍLIA. Em um esforço para viabilizar uma aliança no segundo turno da disputa à prefeitura de São Paulo, os pré-candidatos do PT e PMDB selaram um pacto de não agressão para o primeiro turno da corrida eleitoral. O enlace, que teve o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi fechado no apartamento do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB), na capital paulista, em um jantar com o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e a esposa, além de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do ex-presidente petista e assessora do pré-candidato peemedebista.

Haddad e Chalita acordaram que irão evitar ataques mútuos na campanha para, em um segundo turno, unir forças contra a candidatura do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).

- É evidente que divergências políticas podem haver, mas isso sempre será feito com base no respeito, na discussão de ideias, em esclarecer ao cidadão sobre o que está em jogo. É disso que depende a qualidade da eleição. Então, nós simplesmente celebramos essa vontade mútua de contribuir com o debate público na cidade de São Paulo - afirmou Haddad, ressaltando que mantém uma relação de amizade e de respeito com Chalita desde 2002, quando o peemedebista presidiu o Conselho Nacional de Secretários de Educação.

- Foi uma reunião na qual os dois colocaram a precaução de manter a seriedade na corrida municipal. Um desgaste na campanha é ruim para a boa relação entre PT e PMDB, tanto na esfera municipal como na federal - acrescentou Chalita.

A costura de um pacto era discutida desde dezembro entre lideranças municipais do PT e PMDB favoráveis a uma política de boa vizinhança que facilite um acordo entre as duas siglas no futuro, seja em um segundo turno seja na composição de um governo municipal. A ideia era selar o acordo em agosto, mas a entrada na corrida eleitoral de Serra apressou a formalização, ante a possibilidade de antecipação do debate eleitoral.

"Se um de nós for para o 2 turno, contará com o outro"

O pacto ganhou força diante da insistência do PMDB em lançar candidatura própria em São Paulo, cenário eleitoral que já é admitido por Lula, antes entusiasta de uma dobradinha como a que elegeu a presidente Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto.

- Eu penso que se isso acontecer, se um de nós for para o segundo turno, contará com o apoio do outro. Na verdade, a primeira conversa que tive com o PMDB a esse respeito foi com o vice-presidente Michel Temer. Ele próprio tomou a iniciativa de dizer que pretendemos estar juntos. É uma eleição em dois turnos, e depois tem o governo. Você pode decidir o momento de unir forças. Pode unir no primeiro, no segundo turno ou no governo - ressaltou Haddad, que acrescentou: - O vice-presidente sinalizou que poderíamos conversar para estarmos juntos em um eventual segundo turno.

Ontem, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a participação do ex-presidente Lula é "fundamental" para qualquer eleição, mas observou que ele não vai resolver tudo. Trata-se de um discurso preventivo dos petistas mais afinados com o ex-presidente, no caso de derrota de Haddad.

- Em qualquer campanha, uma pessoa como ele (Lula) vai nos ajudar muito. Agora, não vamos achar que ele resolve tudo. Nossa militância, em São Paulo particularmente, vai ter um peso enorme. A militância não entrou na campanha ainda, quando entrar, vai dar uma diferença. A campanha não começou ainda. (Colaborou Catarina Alencastro)