Título: Satélite do Brasil de R$ 750 milhões pode ter tecnologia de indianos
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 29/03/2012, Economia, p. 23

Objetivo é levar banda larga a todo o país. Programa fará intercâmbio de estudantes e cientistas

NOVA DÉLHI, Índia. O Brasil se prepara para construir e lançar um satélite geoestacionário de comunicações estratégicas de governo que vai levar banda larga a todos os municípios do país. O anúncio foi feito ontem em Nova Délhi, na Índia, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp.

- Além de comunicações estratégicas para as Forças Armadas, (o satélite) vai dar oportunidade a todos os municípios brasileiros terem acesso à banda larga mais barata - disse Raupp.

O satélite, da Telebrás e Embraer, vai custar R$ 750 milhões, incluindo construção e lançamento. O governo vai anunciar uma licitação internacional já no mês que vem. Raupp está convidando a Índia - que tem experiência neste campo, já tendo lançado 70 satélites - a entrar na disputa internacional pelo projeto, que trará ganhos para o consumidor nas áreas de internet e telefonia 3G. O ministro disse que vê boas oportunidades para a Índia fornecer subsistemas desse satélite.

- Há uma possibilidade de cooperação tecnológica e empresarial importante com a Índia - afirmou o ministro, acrescentando que os dois países concordaram em fazer editais conjuntos nessas áreas.

Raupp acompanha a presidente Dilma Rousseff no 4 encontro de cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O bloco, segundo o ministro, também discute a possibilidade de produzir e lançar em conjunto um satélite científico para observação do clima no Atlântico Sul. Com a China, com a qual coopera na área espacial desde os anos 80, o Brasil vai lançar um satélite este ano e outro em 2014.

O ministro disse ainda que será assinado, amanhã, um acordo com a Índia para o programa Ciências sem Fronteiras. Este possibilita que estudantes brasileiros e indianos, bem como cientistas dos dois países, façam intercâmbio nas áreas de ciências naturais e engenharia. As prioridades são os campos de tecnologia da informação, biotecnologia, nanotecnologia e saúde - especialmente combate ao vírus HIV, dengue, malária e tuberculose. O governo admite que no Brasil falta mão de obra especializada.

- Essa cooperação científica abre oportunidades também na área industrial - disse Raupp. (Deborah Berlinck, enviada especial)