Título: Senadores que defenderam colega agora dizem estar constrangidos
Autor: Krakovics, Fernanda
Fonte: O Globo, 03/04/2012, O País, p. 4

Grupo dos éticos se sente traído pelo ex-xerife do Senado, e é cobrado por eleitores

BRASÍLIA. Senadores que se solidarizaram com Demóstenes Torres (DEM-GO) em um primeiro momento agora se sentem constrangidos diante da avalanche de denúncias contra o ex-xerife do Senado. Mais do que isso: o chamado grupo dos éticos se sente traído por Demóstenes, que era um dos seus. E estão tendo que dar explicações aos eleitores.

Um dos 44 senadores que deram apoio a Demóstenes no dia 6 de março, quando o senador subiu à tribuna do Senado para se defender das primeiras revelações sobre sua amizade com o contraventor Carlos Cachoeira, Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que tem sido cobrado por isso nas ruas e na internet.

— Eu respondo para essas pessoas: garanto que até aquele dia você também achava que ele era um defensor da moralidade — afirmou Cristovam.

Com atuação semelhante a de Demóstenes na defesa da ética, o senador Pedro Taques (PDTMT) afirma que sente um misto de tristeza e alegria: — Ficou triste porque ele estava na luta por um Brasil melhor, e tombou. E sinto alegria porque as instituições estão funcionando. Parabenizo o Ministério Público e a Polícia Federal pelo trabalho.

Taques teme que este fato reforce na população a ideia de que todos os políticos são iguais.

A mesma preocupação tem a senadora Ana Amélia (PP-RS), também do chamado grupo ético do Senado, que falou em "perplexidade", e tentou justificar sua solidariedade de primeira hora afirmando que ninguém podia imaginar o que estava por vir.

Da tribuna, ontem, ela lembrou que Demóstenes foi, "ironicamente", relator do projeto que resultou na Lei da Ficha Limpa — à qual ele pode ser enquadrado se renunciar ao mandato para escapar da cassação —, mas ponderou que o povo não deve associar os erros praticados por membros do Legislativo à instituição em si. — Os senadores passam. O Senado, como instituição, fica. E será tanto mais fortalecido quanto mais rápidas as suas instâncias reagirem no caso Demóstenes Torres. Nós temos que ser implacáveis com essas questões, sob pena de desmoralizarmos a própria instituição da qual fazemos parte — disse a senadora gaúcha.

Presentes no plenário, os senadores Roberto Requião (PMDBl PR) e Eduardo Suplicy (PT-SP) também manifestaram "tristeza" e "perplexidade" com as denúncias envolvendo Demóstenes, mas cobraram explicações dele.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), do mesmo grupo que defendeu Demóstenes, enviou ofício ontem à presidência do Senado cobrando celeridade na indicação do presidente do Conselho de Ética, que analisará pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador goiano.

— A situação está insustentável, 10 de abril (data fixada inicialmente) é muito tarde para a gravidade do caso.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou ontem que Demóstenes se explique no plenário do Senado.

— Ainda mais ele, que sempre foi muito rigoroso com as pessoas