Título: Resultado ainda está longe do nível pós-crise
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 04/04/2012, Economia, p. 23

Dados mostram retração, ao contrário do consumo de famílias

Apesar do resultado positivo no mês, houve queda de 3,9% da produção industrial na comparação com fevereiro do ano passado e, em relação ao auge da crise financeira global, os números também apontam forte retração. Para o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Rogério César de Souza, o nível de atividade da indústria não tem conseguido ficar acima do patamar de produção pré-crise 2008:

- A indústria segue uma trajetória contrária ao consumo das famílias. E o câmbio, desfavorável para a indústria, está explicitando cada vez mais esse quadro.

Em 12 meses, a produção recuou em 16 das 27 atividades pesquisadas pelo IBGE em fevereiro deste ano. Até o setor de veículos automotores recuou 28,3%, exercendo maior influência negativa no resultado da indústria. Em 90% dos produtos fabricados no setor automotivo, há queda no que as fábricas produziram: de automóveis a caminhões-tratores para reboques e semi-reboques, caminhões, veículos para transporte de mercadorias e chassis com motor para ônibus e caminhões.

De acordo com o IBGE, outras influências negativas na taxa da indústria vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,8%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-17,6%) e máquinas e equipamentos (-4,7%).

- Há descompasso entre indústria e consumo, com complementação via importados. E, assim, o nível de produção fica 3,4% abauixo do ponto mais alto da série (março de 2010) - acrescentou André Macedo, economista do IBGE.

Por outro lado, ainda na comparação com fevereiro de 2011, houve taxas positivas no ramo de produtos químicos (12,6%), impulsionado pela maior produção em aproximadamente 60% dos itens.