Título: PT e DEM pressionam por abertura de CPI
Autor: Bruno, Cássio
Fonte: O Globo, 04/04/2012, O País, p. 5
Presidente da Câmara, Maia diz que a criação da comissão de investigação "é uma possibilidade"
Paulo Celso Pereira
André Coelho
BRASÍLIA. Por motivos opostos, PT e DEM resolveram ontem elevar a pressão pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar as relações do bicheiro Carlos Cachoeira com parlamentares. O pedido de criação da CPI já havia sido protocolado na semana passada, mas só ontem ganhou fôlego. O PT vê na comissão a possibilidade de atingir um governo do PSDB, já que líderes partidários no Congresso acreditam que o foco das denúncias, que já atingiu um senador e pelo menos cinco deputados, deve se voltar para integrantes do governo de Goiás, comandado pelo tucano Marconi Perillo.
O presidente da Câmara, o petista Marco Maia (RS), colaborou para botar lenha na fogueira, ao cogitar novamente a hipótese de instalar a CPI. Mas disse que só decidirá sobre isso na próxima semana, após receber da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal dados sobre as investigações da Polícia Federal, que apontam envolvimento de deputados, além do senador Demóstenes Torres.
- A CPI é uma possibilidade, precisamos ver quais são as informações que vão chegar - afirmou Maia. - Minha impresão é de que há elementos para aprofundar as investigações.
O líder do PT, Jilmar Tatto (SP), defendeu a investigação:
- É importante essa CPI para investigar o crime organizado no estado de Goiás e suas ramificações na Polícia Federal, no Ministério Público, no Judiciário, no Congresso, no setor privado que tem contratos com governos e também na mídia.
Mas, no Planalto, a possibilidade de abertura da CPI é vista com preocupação, informação já repassada aos líderes governistas. A avaliação é que uma comissão que já começaria investigando cinco deputados e um senador poderia paralisar o Congresso por longo período e teria fim imprevisível. Por isso, o governo prefere que o assunto fique restrito ao Conselho de Ética.
Já o DEM decidiu endossar o pedido de criação da CPI. O líder ACM Neto (DEM-BA) se esforçou para demonstrar que a atitude de afastar Demóstenes era oposta à do PT, que, segundo ele, seria leniente com a corrupção:
- Queremos que tudo seja apurado e nós queremos ver qual vai ser a postura dos outros partidos com os seus quadros, que estão envolvidos em denúncias tão graves quanto aquelas.
O PSDB ainda trata o tema com cautela. O presidente da legenda, deputado Sérgio Guerra (PE), divulgou nota criticando suposta seletividade nas informações divulgadas:
- O PSDB não aceita vazamentos seletivos ou investigações parciais. Cobraremos esclarecimentos de qualquer fato que envolva personalidades de nosso partido.
Entre os deputados, o principal implicado até agora é Carlos Leréia (PSDB-GO), próximo ao governador de Goiás. O PSOL pediu ontem que Leréia e Sandes Junior (PP-GO) sejam intimados pela Corregedoria da Câmara. O órgão aguarda informações sobre outro deputado, o petista Rubens Otoni (GO), e deve intimar Stepan Nercessian (PPS).