Título: Defesa de Cuba por Dilma amplia debate
Autor: Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 11/04/2012, Economia, p. 23

Defesa de Cuba por Dilma amplia debate

Mas para especialistas, pressão para que país participe de cúpula ainda depende de americanos

A posição enfática da presidente Dilma Rousseff ao defender a participação de Cuba na próxima Cúpula das Américas, em encontro com o presidente americano, Barack Obama, fortalece o país e amplia o debate sobre o tema, mas não garante mudanças na política externa dos Estados Unidos. Especialistas argumentam que o embargo dos EUA à Cuba não se justifica, já que a maior economia do mundo mantém relações com países de regime semelhante, como a China, e que hoje é uma questão de política interna americana.

- A declaração de Dilma é um marco importante. É uma situação incômoda Cuba não participar da cúpula, já que os EUA têm boas relações com países de regime semelhante, como China e Vietnã. Dilma manifestou o descontentamento dos demais países - afirmou o coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp, Luis Fernando Ayerbe.

No encontro com Obama, Dilma disse que a VI Cúpula das Américas - nos próximos dias 14 e 15 em Cartagena, na Colômbia - será a última sem Cuba. O encontro foi realizado pela primeira vez em Miami, em 1994, por iniciativa dos EUA.

Foi na Cúpula de Quebec, no Canadá, em 2001, que se começou a questionar a ausência de Cuba, segundo Ayerbe. Na ocasião, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, passou a defender a inclusão de Cuba no encontro. Em 2009, na Cúpula de Trinidad e Tobago, o assunto voltou a ser debatido. No mesmo ano, a Organização dos Estados Americanos (OEA) readmitiu Cuba no grupo, após 47 anos de sua expulsão.

Desta vez, o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu boicotar a cúpula, mas os comentários sobre a ausência de Cuba também vieram de José Mujica, presidente do Uruguai, de Chávez e, agora, de Dilma.

- A declaração de Dilma está de acordo com a posição da maioria dos países latino-americanos e condiz com um país que quer ser visto como um líder positivamente. É uma declaração no sentido de abertura de diálogo e certamente vai levar a uma reflexão por Havana e Washington - diz o professor de História Contemporânea da UnB Virgílio Arraes.

Para ele, porém, o movimento não é suficiente para mudar a posição americana em relação a Cuba, que ele descreve como anacrônica:

- A posição dos EUA em relação a Cuba ainda vem da época da Guerra Fria, é um capricho da diplomacia americana. Hoje, é muito mais uma questão de política interna, por causa do peso político da comunidade cubana na Flórida. Mantido o poder sob o comando do Partido Comunista, não há possibilidade de participação (do país na cúpula).

Mais otimista, Ayerbe diz que a declaração de Dilma aumenta a chance de Cuba participar da cúpula. Temas como desenvolvimento sustentado, redução da pobreza e crise serão tratados na cúpula desta semana, cujo tema é "Conectando as Américas: Sócios para a Prosperidade".

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