Título: Pauta pode ser adiada
Autor: Torres, Izabelle
Fonte: Correio Braziliense, 18/09/2009, Política, p. 7
Para líderes dos partidos, ainda é cedo para discutir com a bancada projeto sobre legalização dos jogos de azar
Michel Temer, durante uma sessão: objetivo é colocar tema em discussão já na próxima semana
Para tentar dar uma resposta aos setores da Câmara que pressionam pela rápida aprovação da proposta que legaliza os bingos e as máquinas de caça-níqueis no país, o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), vai tentar colocar o assunto em discussão na próxima reunião de líderes, semana que vem. Mas, apesar de a maioria dos parlamentares declarar apoio à matéria, algumas lideranças já anteciparam que querem mais tempo para discutir o tema com suas bancadas. Sabem, no entanto, que dificilmente isso será possível.
No PT, por exemplo, apesar de o líder da legenda, Cândido Vacarezza (SP), defender a legalização, pelo menos cinco parlamentares radicalizam no discurso contrário. ¿Eu, pessoalmente, sou a favor. Acho que tem que legalizar mesmo. Mas ainda preciso reunir a bancada e discutir o assunto. Não se pode discutir isso assim tão rapidamente.¿
Em busca de uma posição comum da bancada, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), também disse que é cedo para discutir o assunto entre as lideranças e preparar a matéria para entrar na pauta do plenário. ¿Tem muita coisa antes disso. Sei que há um movimento forte de pressão por esse projeto. Mas, precisamos de tempo e reuniões. Na minha bancada, por exemplo, há muitos evangélicos. Eles são radicalmente contra, enquanto eu sou um defensor dessa proposta. Temos de conversar muito¿, diz o petebista.
Um dos poucos líderes declaradamente contrários, o democrata Ronaldo Caiado (GO) diz que fará o possível para adiar a discussão sobre o tema, apesar de alguns dos integrantes do DEM serem a favor da proposta. ¿Se depender de mim, isso não entrará tão cedo. Há muitas prioridades para esta Casa¿, comenta.
Pressa e pressões
A intenção de Temer de medir a temperatura do plenário tem razão de ser. Há semanas, um intenso lobby de empresários, ex-funcionários desses estabelecimentos, e de parlamentares de olho nos frutos políticos da legalização dos jogos, invadiu corredores e gabinetes da Câmara. Enquanto o interesse na proposta de funcionários e donos de casas de bingos é óbvio, deputados apaixonados pela causa também deixam transparecer a lista de vantagens futuras que pretendem colher.
Isso porque o setor é reconhecido como um potencial financiador de campanha eleitoral. Tanto que foi essa capacidade que resultou no escândalo dos bingos, em 2004, quando o então diretor da Loterj, Waldomiro Diniz, apareceu em um vídeo pedindo ajuda de bicheiros para a campanha do PT.