Título: Em Goiás, tudo leva a Cachoeira
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Fonte: O Globo, 12/04/2012, O País, p. 10
Juíza goiana do STJ recusa ser relatora em pedido do bicheiro
BRASÍLIA e MOSSORÓ (RN). A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Laurita Vaz, de Goiás, alegou "foro íntimo" e recusou a relatoria do pedido de habeas corpus da defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso desde o início de março na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Em sua decisão, a ministra revela que teve "contato social ou profissional" com autoridades públicas envolvidas com a ação do grupo de Cachoeira.
"Como se sabe, sou oriunda do estado de Goiás, onde exerci cargos direta ou indiretamente relacionados a instituições locais. E considerando que, embora não conheça o ora Paciente, tampouco os fatos pelos quais ele é acusado, mas tendo em conta a denunciada abrangência de sua suposta atuação no Estado, com o pretenso envolvimento de várias autoridades públicas, com as quais, algumas delas, tive algum tipo de contato social ou profissional, ao meu sentir, é prudente declarar minha suspeição, a fim de preservar a incolumidade do processo penal", alegou a juíza, que será substituída pelo ministro Gilson Dipp.
Cachoeira ocupa uma cela de 7 m² e enfrenta em Mossoró temperatura média em torno de 35°C, que, aliada à estrutura de concreto do presídio, produz sensação térmica superior a 40°C. Na cela, Cachoeira tem cama, armário e vaso sanitário, todos de alvenaria. O colchão é feito de espuma especial à prova de fogo. O fornecimento de iluminação e água é controlado pelos agentes, através de um painel. A alimentação é fornecida em quentinhas quatro vezes ao dia.