Título: Comissão Europeia muda o tom e vai discutir agenda de crescimento
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Fonte: O Globo, 09/05/2012, Economia, p. 20
BRUXELAS. A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), mudou o tom e já defende uma agenda de crescimento, na esteira da vitória do candidato socialista, François Hollande, nas eleições presidenciais da França, e da rebelião no Parlamento grego. A Comissão quer voltar a discutir propostas de elevação de capital, inclusive a injeção de 10 bilhões no Banco de Investimento Europeu (EIB, o "BNDES" do bloco) para serem usados em projetos de transporte e construção. E confirmou a realização da reunião de cúpula dos países do bloco no dia 28 de junho, quando o assunto estará na pauta, apesar dos sinais de oposição da chanceler alemã, Angela Merkel.
- Estamos aproveitando o momento para avançar nas nossas propostas anteriores, agora num novo clima político - disse o comissário de Política Econômica da UE, Olli Rehn.
O clima político de fato mudou desde o último domingo, após a vitória do socialista François Hollande na campanha presidencial francesa e o avanço de partidos extremistas na Grécia, dificultando a formação de um novo Parlamento que aplique as medidas de austeridade acertadas com a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
- A campanha eleitoral francesa teve o mérito de colocar a urgência do crescimento na agenda - afirmou Hollande, acrescentando que a França deixará de ser parte do "duopólio" com a Alemanha, que impõe políticas de austeridade na Europa.
Hollande vai testar sua influência quando visitar Merkel logo após sua posse, na próxima semana. Já na mensagem de felicitações pela vitória eleitoral, Merkel insinuou as diferenças entre os dois, afirmando que o novo presidente francês enfrentará "uma época de desafios".
O presidente da UE, Herman Van Rompuy, chegou a convocar uma reunião de líderes para o dia 23 de maio, mais de um mês antes da reunião de cúpula. Mas a Comissão concluiu que seria cedo demais para revelar se sua proposta de uma aplicação "flexível" das regras fiscais significa que países como Espanha, Itália e França terão mais tempo para convergir seus déficits orçamentários para o teto de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Vaticano elimina feriados religiosos em Portugal
O premier de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, crítico do domínio franco-germânico no gerenciamento da crise, defendeu uma abordagem equilibrada e disse que essencialmente concorda com Hollande. Já o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, quer que, na reunião de cúpula do dia 28 de junho, os líderes aprovem fundos extraordinários para o EIB, que poderia financiar 60 bilhões em infraestrutura.
A crise na zona do euro não poupou nem mesmo os santos. Ontem, o Vaticano aceitou eliminar do calendário civil os feriados religiosos de Corpus Christi, celebrado 60 dias após a Páscoa, e o de Todos os Santos em Portugal, durante cinco anos, devido à crise.