Título: Grécia fica mais perto de nova eleição
Autor:
Fonte: O Globo, 10/05/2012, O Mundo, p. 38
Grécia fica mais perto de nova eleição
Após fracasso de dois partidos, socialistas começam tentativa de formar um governo de coalizão e superar vazio político
O RECADO DAS URNAS EUROPEIAS
ATENAS. Três dias depois de os eleitores castigarem nas urnas os partidos responsáveis pela negociação de um rigoroso pacote de resgate, a Grécia está cada vez mais próxima de uma nova eleição diante do fracasso dos partidos em formar um governo de coalizão. Alexis Tsipras, líder da Coalizão Esquerda Radical ou Syriza, foi o segundo líder político a entregar os pontos.
O partido foi considerado a principal surpresa da eleição ao se tornar a segunda maior força política no Parlamento. Mas em um pleito em que apenas duas legendas são favoráveis ao programa de austeridade acordado com a troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) e as outras cinco não conseguem se unir por questões ideológicas, um acordo de coalizão parece uma alternativa quase inalcançável. Além de se reunir com líderes dos principais partidos, ele tentou também um encontro com o presidente eleito da França, François Hollande, e com a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel. Os dois negaram, citando o protocolo.
- Ele está me pedindo para assinar a saída da Grécia do euro e a falência do país. Não farei isso - disse Antonis Samaras, líder do conservador Nova Democracia, o partido mais votado, em uma referência a possíveis consequências do descumprimento das regras do pacote de socorro.
Já o líder do Pasok, o partido socialista, Evangelos Venizelos, disse que não foi possível obter acordo, mas que era necessário manter os esforços. Com a desistência de Tsipras, cabe agora a Venizelos a tarefa de liderar as negociações. As chances de êxito do ex-ministro das Finanças responsável pelos termos do acordo de 130 bilhões que prevê a demissão de 150 mil funcionários públicos, além de cortes de salários e pensões, são limitadas. O cenário mais provável para a crise é que o presidente Karolos Papoulias designe um governo interino e convoque nova eleição em um prazo em um mês.
Legendas já discutem aliança para novo pleito
Nos bastidores, os partidos de centro-direita já discutem uma nova articulação para a eleição. Samaras defende um "front pró-Europa", reunindo as legendas que não conquistaram o patamar mínimo de 3% dos votos para obter representação no Parlamento, como o Laos e o Aliança Democracia, entre outros. Esta seria uma forma de neutralizar o aumento da popularidade do Syriza e reduzir a retórica contra a austeridade. O ponto-chave de uma nova eleição é que não há garantias de que um partido conseguirá, sozinho, conquistar os 151 assentos que garantem maioria no Parlamento. E mesmo que o pleito ocorra em 17 de junho, data citada como a mais provável, qualquer prorrogação do vazio de poder traz ainda mais instabilidade ao país.
O problema é que diante da série de compromissos financeiros do país nas próximas semanas, qualquer articulação política representa uma corrida contra o tempo.
Para grande parte dos eleitores, o recado das urnas foi claro: a Grécia quer permanecer com a moeda do bloco, mas não pretende arcar com os sacrifícios impostos pela União Europeia.
- Queremos permanecer no euro, mas em pé de igualdade e não apenas ser escravos de alguns países - disse o funcionário público Dimitris Nasis.