Título: Ministros do STF defendem procurador
Autor: Braga, Isabel; Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 11/05/2012, O Pais, p. 10
Gilmar vê relação com mensalão; Joaquim destaca independência de Gurgel
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, concordou com a alegação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que as críticas que vem recebendo de parlamentares na CPI do Cachoeira estão ligadas a setores preocupados com o caso do mensalão. Gilmar afirmou que Gurgel não deveria ir à CPI prestar esclarecimento algum.
- Eu tenho a impressão que sim. Há uma expectativa em torno disso - disse, diante da pergunta sobre se havia relação entre as críticas e a preocupação com o mensalão. - São pescadores de águas turvas, pessoas interessadas em misturar excitações, tirar proveito, inibir as ações dos órgãos que estão funcionando normalmente.
Integrantes da CPI querem que o procurador preste depoimento para explicar por que, em 2009, não tomou providências imediatas ao receber o inquérito da Operação Vegas, que investigava jogos ilegais. Gilmar saiu em defesa de Gurgel.
- Tem plantação notória, grupos políticos manipulando as próprias notícias. Evidente que a procuradoria pode ter a sua estratégia em relação a qualquer tema - afirmou.
Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, também defendeu o procurador:
- Ele é um servidor do Estado inatacável. Não há por que convocá-lo para explicar suas atribuições, que são constitucionais. Ele é um agente que goza de independência. É o titular da ação penal.
O ministro negou sofrer pressão de mensaleiros e disse não ter como avaliar se Gurgel passa por esse tipo de situação.