Título: Vaticano investiga pedofilia em congregação
Autor:
Fonte: O Globo, 12/05/2012, O Mundo, p. 40

O Vaticano revelou ontem que está investigando denúncias de abuso sexual a menores relacionadas a sete sacerdotes dos Legionários de Cristo, arranhando ainda mais a já desgastada imagem de uma congregação que chegou a ser tratada como modelo pelo Papa João Paulo II.

A investigação é a primeira medida contra a ordem - também chamada Legião de Cristo - tornada pública pelo Vaticano desde o escândalo envolvendo o padre mexicano Marcial Maciel, fundador da congregação no início dos anos 1940, mas afastado em 2004 diante das denúncias, divulgadas a partir de 1997, de uma série de abusos contra menores.

Ordem diz que casos são de diferentes países

A Legião de Cristo sempre defendeu que os abusos eram fruto de uma conduta apenas de Maciel, mas a investigação sugere agora que o mesmo ambiente secreto criado por ele para encobrir seus delitos permitiu que outros sacerdotes molestassem menores.

A congregação confirma ter enviado os sete casos ao Vaticano, mas diz que apenas um é recente. Os demais abusos teriam sido cometidos há décadas. Os padres envolvidos, explica em comunicado a Legião, foram afastados das crianças.

"Durante os últimos anos, em vários países, os superiores da Legião de Cristo receberam denúncias de atos imorais graves e ofensas mais sérias cometidas por alguns legionários", diz o texto.

Além de enviadas ao Vaticano, as denúncias foram remetidas à polícia nos casos em que a lei local assim determina. A Legião de Cristo, que tem 900 sacerdotes espalhados por 18 países, não especificou onde os abusos foram cometidos.

O escândalo envolvendo Maciel e os Legionários foi um dos mais sérios para a Igreja Católica no século XX. Durante décadas, o mexicano, hábil arrecadador de fundos, construiu uma congregação rica e ao mesmo tempo influente, e chegou a ser apontado por João Paulo II como uma referência mundial em sacerdócio.

Mas as revelações de que Maciel abusava de seminaristas, mantinha relacionamentos em segredo com mulheres e desviava fundos da Igreja minaram a imagem da Legião. Em 2006, o Papa Bento XVI ordenou a retirada do padre mexicano, que morreu dois anos depois, do sacerdócio.