Título: Lucro da Petrobras cai 16% no trimestre
Autor: Ordoñez, Ramona; Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 16/05/2012, Economia, p. 24
Gastos com importação de gasolina e câmbio pesam no resultado. Ganho de R$ 9,2 bi supera a previsão de analistas
Com uma defasagem média nos preços dos derivados nas refinarias de 20%, com o aumento importações principalmente de gasolina, e os efeitos do câmbio, a Petrobras fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 9,2 bilhões, queda de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, o resultado ficou acima da previsão dos analistas. Já em comparação ao último trimestre do ano passado, quando a companhia lucrou R$ R$ 5,05 bilhões, o resultado dos três primeiros meses do ano foi 82% superior.
Ao apresentar os resultados ontem à noite, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, destacou que destacou que o aumento dos preços do petróleo (brent), no mercado internacional, em 8% em média no trimestre favoreceu a empresa porque ela ganhou com as exportações do petróleo cru. Com isso, foi possível minimizar os gastos com maiores importações de derivados, principalmente gasolina, para abastecer o mercado interno. Segundo Barbassa, a além do crescimento dos custos, o ganho cambial neste trimestre foi menor, de R$ 465 milhões, contra R$ 1,6 bilhão em igual período do ano passado.
- O aumento do lucro veio de uma venda maior no exterior que acompanha o preço do mercado internacional.
No primeiro trimestre, a produção nacional se manteve praticamente estável, ficando em 2,43 milhões de barris por dia, 2% superior aos 2,38 milhões de barris em igual período de 2011. Em relação ao último trimestre do ano passado a produção foi praticamente a mesma. Os preços de venda dos derivados da Petrobras ficaram em R$ 176,72 o barril, contra R$ 211,65 o barril nos Estados Unidos no trimestre.
Com o aumento das vendas no primeiro trimestre, a receita da companhia atingiu R$ 63,1 bilhões, 22% maior em comparação aos R$ 54,3 bilhões a igual trimestre do ano passado.
No primeiro trimestre, a venda de combustíveis atingiu 2,1 milhões de barris diários, 10% a mais do que no mesmo período do ano passado, quando foi de 1,96 milhão de barris por dia. Já em comparação ao último trimestre de 2011, foi 2% menor em relação s 2,2 milhões de barris diários consumidos no quarto trimestre. Somente o consumo de gasolina cresceu 24% em comparação aos primeiros três meses de 2011.
Mas, graças ao aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, as exportações minimizaram os gastos com as importações, reduzindo o déficit comercial de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2011 para US$ 931 milhões.
O diretor explicou que esse efeito positivo com as exportações se deveu ao fato de que o petróleo vendido pela Petrobras, mais pesado, se valorizou e teve sua diferença em relação ao brent, mais leve, reduzida de US$ 11 para US$ 6 o barril.
Assim, apesar de as importações de petróleo e derivado terem atingido 764 mil barris diários, contra contra 684 mil barris por dia em igual período anterior, foram exportados 714 mil barris diários de petróleo e derivados (principalmente óleo combustível), Em igual período do ano passado tinham sido exportados 631 mil barris por dia.
Por motivos de saúde o diretor de Engenharia da Petrobras, Richard Olm, renunciou ao cargo, com menos de duas semanas na função. O Conselho de Administração da companhia, que se reuniu ontem para aprovar os resultados do primeiro trimestre do ano, aprovou o nome de José Antonio de Figueiredo , atual gerente-executivo , funcionário da Petrobras há 33 anos, para substituir Olm, que está em tratamento médico.
O resultado da Petrobras superou as expectativas de analistas, que apostavam num lucro líquido entre R$ 8,2 bilhões a R$ 8,79 bilhões. Com o resultado de ontem, a estatal também passou a primeira do ranking de resultados deste primeiro trimestre, superando o lucro líquido da Vale (R$ 6,7 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 3,4 bilhões) e Bradesco (R$ 2,79 bilhões).