Título: Risco de sair da UE rebaixa Grécia
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Fonte: O Globo, 18/05/2012, Economia, p. 29

Agência de classificação de riscos Fitch agora considera país vulnerável

CLIENTES SACAM dinheiro de caixa eletrônico em Atenas: incertezas

Angelos TzortzinisAFP

NOVA YORK, WASHINGTON e ATENAS. A agência de classificação de riscos Fitch anunciou ontem o corte da nota soberana da Grécia em um grau (de B- para CCC, considerado vulnerável), citando "elevação do risco" de que o país seja obrigado a abandonar a zona do euro. Em seu comunicado, a agência afirma que o corte se segue à vitória de partidos contrários às medidas de austeridade nas eleições de 6 de maio e ao fracasso dos partidos ao tentar formar um governo, o que obrigará o país a passar por novas eleições em 17 de junho.

Segundo a agência, o fracasso na formação de um governo revela a falta de apoio ao programa de austeridade. A Fitch alertou ainda que a saída da Grécia da zona do euro será iminente, se as próximas eleições não resultarem num mandato para que o novo governo implemente as medidas de austeridade acertadas com credores e a chamada troika - Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e União Europeia (UE) -, em troca de dois pacotes de ajuda, totalizando 240 bilhões, dos quais 130 bilhões em março passado.

"Uma saída grega (da zona do euro) provavelmente resultaria em calote generalizado no setor privado, assim como em títulos soberanos denominados em euro, apesar de um peso moderado da dívida soberana após a reestruturação dos títulos do governo grego em março", acrescentou o comunicado.

Pesquisa mostra eleitor convergindo para o centro

Uma pesquisa eleitoral, porém, apontou ontem que os eleitores estão voltando a apoiar os partidos tradicionais, que negociaram o acordo. O levantamento, o primeiro desde as eleições de 6 de maio, mostraram o partido conservador Nova Democracia em primeiro lugar, vários pontos à frente do esquerdista Syriza, que defende a anulação do acordo com a troika.

A pesquisa prevê que o Nova Democracia receberia 26,1% dos votos, contra 23,7% do Syriza. Com esse resultado, uma coalizão entre o Nova Democracia e o partido socialista Pasok garantiria um número de parlamentares suficientes para formar um novo governo, o que não ocorreu nas eleições de 6 de maio. O Syriza, porém, tem a seu favor o carismático líder Alexis Tsipras, de 37 anos, um crítico feroz da solução da crise por meio de políticas de austeridade, que, em sua visão, aprofundam a depressão, com graves consequências sociais, como desemprego.

Enquanto perdura a indefinição eleitoral no país, o juiz Panagiotis Pikrammenos, que tomou posse na quarta-feira, comandará o país como primeiro-ministro interino. Mas sua função estará limitada a conduzir o país às eleições de 17 de junho. A paralisia política interrompeu uma série de medidas em andamento e já coloca o país numa posição de descumprimento das metas acertadas nas negociações com credores internacionais. O vice-diretor de Assuntos Internacionais do FMI, David Hawley, disse ontem que os inspetores do Fundo não retornarão à Grécia, antes das novas eleições:

- Sabemos que foram convocadas eleições e estamos ansiosos para entrar em contato com o novo governo, quando este for formado.

Se não receber ajuda adicional, a Grécia pode ficar sem dinheiro antes do fim de junho para pagar salários governamentais e programas de bem-estar social. Esses gastos dependem do recebimento das parcelas do programa de ajuda de 130 bilhões.

* Com agências internacionais