Título: Moody's rebaixa a nota de 16 bancos espanhóis
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Fonte: O Globo, 18/05/2012, Economia, p. 29
Agência cita crise imobiliária, desemprego e dificuldade de acesso a crédito. Governo nega onda de saques no Bankia
ABALO NOS MERCADOS
MADRI . A agência de classificação de risco Moody"s reduziu ontem a nota de 16 bancos espanhóis, incluindo o Santander. A perspectiva para todas as instituições financeiras é negativa, ou seja, a nota pode sofrer novos cortes. Entre outros motivos, esse rebaixamento é consequência da diminuição do rating soberano da Espanha em fevereiro, para "A3". Essa decisão ocorre no momento em que o governo espanhol tenta provar que seu sistema financeiro pode ser saneado, elevando as exigências para reservas dos bancos, e enfrenta uma onda de saques no Bankia.
A Moody"s justificou sua decisão citando as condições adversas em que as instituições financeiras estão operando, com recessão, crise imobiliária e desemprego elevado. A agência também citou a rápida deterioração da qualidade dos ativos bancários, além da dificuldade de acesso a crédito nos mercados por parte dos bancos espanhóis. A agência ainda afirmou que, se não fossem as recentes exigências do governo espanhol e o apoio do Banco Central Europeu (BCE), os cortes poderiam ter sido maiores.
Santander e BBVA foram rebaixados em três níveis, de "Aa3" para "A3" - o mesmo patamar do país, ainda considerado alto. Santander UK e CaixaBank sofreram redução semelhante. Também caindo três níveis está o Bankinter, que passou de "A2" a "Baa2".
Banesto e Popular só recuaram em um nível, de "A2" a "A3". Já o Sabadell caiu de "A3" a "Baa1". O Liberbank (resultante da fusão de Cajastur, Caja de Extremadura e Caja Cantabria) passou de "Baa1" a "Ba1", que já é patamar junk (altamente especulativo). O Cajamar caiu de "Baa3" para "Ba2", também junk . As demais instituições rebaixadas são caixas de poupança e financeiras.
Presidente do Bankia diz que entidade é sólida
Essa decisão ocorre em um momento desfavorável para o setor bancário, apontado como o catalisador das dúvidas sobre a economia espanhola e obrigado a se recapitalizar em milhões de euros.
O mais recente exemplo da crise no setor bancário foi a nacionalização do Bankia, no último dia 9. Ontem a imprensa local afirmou que os correntistas do Bankia, o quarto maior banco do país, sacaram mais de 1 bilhão na última semana, em um sinal da pouca confiança no banco. Segundo o jornal "El Mundo", a informação fora divulgada em reunião do Conselho de Administração do banco por seu recém-nomeado presidente, José Ignacio Goirigolzarri.
As ações do Bankia chegaram a cair 29%, encerrando o pregão da Bolsa de Madri em queda de 14,08%. O Ibex-35, principal índice da Bolsa, recuou 1,11%.
O Bankia, o Banco da Espanha (o banco central do país) e o Ministério da Economia negaram que estivesse ocorrendo uma onda de saques. Em comunicado à agência reguladora do mercado espanhol, o Bankia afirmou que "a evolução dos depósitos na primeira quinzena de maio tem um caráter substancialmente estacionário". "Os correntistas do Bankia podem estar absolutamente tranquilos sobre a segurança das economias que confiaram à entidade", afirmou no comunicado Goirigolzarri. O Bankia ressaltou que não espera "mudanças substanciais" no volume de saques nos próximos dias.
Mais tarde, Goirigolzarri, depois de admitir que a Espanha está enfrentando "momentos econômicos muito convulsos", reafirmou que as operações do Bankia estão absolutamente normais.
- Parece-me importante ressaltar isso, assim como que nossos clientes podem estar seguros porque o Bankia é uma entidade muito sólida - disse Goirigolzarri. - E não somos só nós do Bankia que dizemos isso: foi definido e declarado pelo Banco da Espanha e pelo governo.
O secretário de Estado de Economia, Fernando Jiménez Latorre, também descartou uma fuga de capital do Bankia. Ele disse que o novo projeto para o banco tem tudo para ser bem-sucedido e que a nova administração tem experiência no setor.
* Com agências internacionais