Título: Hollande ajuda sem tropas para o afeganistão
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Fonte: O Globo, 19/05/2012, Opinião, p. 37

WASHINGTON. O presidente da França, François Hollande, usou ontem sua primeira visita à Casa Branca para reforçar que pretende cumprir a promessa de retirar combatentes do Afeganistão até o fim do ano. A decisão significa o rompimento do prazo acordado pela Otan, a aliança militar ocidental, que previa a saída gradual de militares até 2014.

O primeiro encontro do socialista com o presidente dos EUA, Barack Obama, ocorreu pouco antes da reunião de líderes do G8 em Camp David, neste fim de semana, e dos membros da Otan, em Chicago. Obama não contestou a determinação de Hollande, mas ressaltou que é necessário o apoio da aliança para ajudar os afegãos a construírem sua própria segurança e a seguirem no caminho do desenvolvimento.

Ao longo da campanha, Hollande havia prometido retirar os 3.300 soldados do Afeganistão, mas depois especificou que apenas os combatentes regressariam até o fim de 2012. Em declarações a jornalistas no Salão Oval, Hollande disse estar comprometido com a assistência ao Afeganistão por meios alternativos e disse que o assunto voltaria a ser discutido na reunião da Otan.

- Vamos continuar a apoiar o Afeganistão de um modo diferente. Vamos buscar um outro formato. E tudo isso será feito com o entendimento dos nossos aliados - disse.

No momento, Washington tenta levantar recursos junto aos aliados para assegurar o treinamento e o financiamento das forças afegãs após a retirada das tropas da Otan, o que pode custar cerca de US$ 4 bilhões ao ano. Para complementar a assistência americana, os EUA estão pedindo aos demais países da Otan que forneçam uma ajuda anual de US$ 1,3 bilhão.

Os dois líderes conversaram durante 20 minutos, tratando também de outros assuntos, como Irã, Iraque e Síria. Hollande afirmou que ele e Obama tinham visões semelhantes sobre o Irã e iriam "iniciar conversações".

Tom Donilon, conselheiro de Segurança Nacional, lembrou que Obama e o ex-presidente Nicolas Sarkozy tinham boas relações, mas assegurou que o mesmo tipo de relacionamento pode ser construído com Hollande. Os dois presidentes têm visões semelhantes no campo econômico, no qual são favoráveis a medidas que impulsionem o crescimento da Europa para superar a crise.

Relacionamento igual a cheeseburguer e batata frita

Obama disse ter observado a "notável" eleição na França e ofereceu ao presidente suas "sinceras congratulações".

- Asseguro a ele que a amizade e a aliança entre os EUA e a França são não apenas de extraordinária importância para mim, como também muito valorizadas pelo povo americano - disse.

Numa metáfora do relacionamento entre os dois países, Obama perguntou se Hollande havia estudado fast food antes de sua visita a Chicago. Hollande disse que não faria qualquer crítica ao cheeseburguer, e Obama replicou dizendo que o sanduíche cai muito bem com french fries - como os americanos chamam a batata frita.