Título: Lei de acesso petrobras não responde
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 19/05/2012, Economia, p. 31

A Petrobras até demonstrou agilidade para se adequar à Lei de Livre Acesso à Informação, que entrou em vigor no último dia 16, obrigando órgãos públicos federais, estaduais e municipais a fornecer dados oficiais a qualquer cidadão que solicitá-los. Dois dias após a entrada em vigor da lei e de ter recebido um pedido de informações sobre a defasagem dos preços dos combustíveis, a companhia respondeu. O problema é que não explicou nada.

Em e-mail encaminhado à repórter do GLOBO, a Petrobras orientou que fosse procurada a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Petrobras esclareceu que a agência é "o órgão governamental responsável pelo acompanhamento e regulamentação do mercado nacional de petróleo e derivados."

Só que as informações solicitadas não eram sobre o mercado de combustíveis nem sobre os preços de venda nos postos revendedores, mas sim sobre os preços de venda dos combustíveis (gasolina e óleo diesel) cobrados pela Petrobras em suas refinarias e sua defasagem em relação ao mercado internacional.

No resultado da companhia no primeiro trimestre do ano, quando registrou um lucro líquido de R$ 9,2 bilhões, a Petrobras admitiu que seus preços ficaram com uma defasagem média, em relação ao mercado americano, de 20%. Por conta desta defasagem, o resultado da diretoria de Abastecimento da companhia no primeiro trimestre foi negativo em R$ 6,1 bilhões. O resultado final foi 16% menor em relação ao primeiro trimestre de 2011, e só não foi pior graças ao aumento das exportações de petróleo cru pela estatal, que se beneficiou da alta dos preços internacionais do produto, em 8% no período.

Em sua resposta eletrônica, a Petrobras ainda esclareceu que o site da ANP publica informações detalhadas sobre a regulamentação do mercado, além de histórico de venda de derivados de petróleo, pesquisa de preços ao consumidor e suas variações.