Título: Sinais trocados no pacote de estímulo
Autor: Farah, Tatiana
Fonte: O Globo, 22/05/2012, Economia, p. 23

Especialistas criticam ausência de programa de eficiência energética

Os sinais emitidos pelo governo ao anunciar ontem o novo pacote de estímulo ao setor automobilístico estão trocados. O diagnóstico é da engenheira Suzana Kahn, da Coppe, que coordenou o capítulo de transporte do documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em 2009, e onde apontou que o setor de transportes responde hoje, no mundo, por 23% de toda a emissão de CO2 do mundo.

- Pior do que contribuir para o aumento da piora na qualidade do ar e na poluição sonora, é o fato de o discurso do governo estar descolado da sua prática - criticou Suzana, ponderando que já existem hoje motores mais eficiente e combustíveis menos poluentes, que foram totalmente ignorados no novo pacote de estímulo ao consumo anunciado pelo governo. - É uma política que sinaliza uma despreocupação com a questão ambiental.

Essa falta de preocupação também foi alvo de críticas do diretor de Campanha do Greenpeace, Sérgio Leitão, que chamou atenção para o fato de o anúncio ir de encontro ao compromisso anunciado pelo próprio governo, também em 2009, que se autoimpõs a meta de reduzir a emissão de gases de efeito estudo em 36,1% a 38,9% até 2020.

- O pior é que existem recursos financeiros para estimular um consumo no setor automobilístico acompanhado de eficiência energética - critica Leitão, admitindo estar "apreensivo e preocupado" com a direção que o governo está tomando.

Ele lembra que, recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou um pacote de estímulo ao setor automobilístico para reduzir os impactos da crise econômica, no seu país, mas incorporou a meta de incentivar o uso dos veículos elétricos até 2020. Além de ter feito um apelo explícito aos americanos para afastarem-se do petróleo, chamando-o de "combustível do passado". (Liana Melo)